31 de julho de 2025
OPINIÃO

Kassab, Semana Santa e a irrelevância!

O PL de Flávio Bolsonaro, já disse noutro momento, busca humilhar a força política de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD

Por Genésio Araújo Jr
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Lutando contra a irrelevância Foto: Aluno Expert

(Brasília-DF) Esta Semana Santa será a semana da verdade para os pecadores da política, se você não sabe!

No dia 3 de abril se fecha a janela partidária em que os infiéis podem assumir sua infidelidade partidária.  A “janela”, como se diz, começou no 5 de março e se encerra neste 3 de abril.  Na Quinta-feira Santa - dia do Lava-pés, da Última Ceia, início do chamado Tríduo Pascal!  Bando de pecadores vão querer entrar num imaginado paraíso partidário, em que pensam que terão melhor vida para as possíveis vitórias eleitorais de outubro.

Nesta semana, o partido que tem mais prefeitos e governadores no Brasil, PSD,  precisa escolher seu candidato, pra valer, na disputa presidencial de 2026.

Os governadores que hoje estão em disputa têm até a sexta-feira, 4, Sexta-feira Santa, dia da morte corporal de Jesus, para deixarem os cargos.  O governador Ronaldo Caiado (PSD), do Goiás, anuncia a renúncia ao mandato no dia 31 de março, enquanto o governador Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, já disse que só renunciará se for escolhido para ser o candidato presidencial.

O PL de Flávio Bolsonaro, já disse noutro momento, busca humilhar a força política de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Lembrando que ele tirou, na prática, Kassab do governo de Tarcísio de Freitas, em São Paulo. Agora, o então vice governador Felício Ramuth saiu do PSD e se filiou ao MDB e deverá ficar na chapa de reeleição de Tarcísio. Vai pedir voto para Flávio Bolsonaro.

As pesquisas vêm mostrando, pelo menos a da AtlasIntel/ Bloomberg, que o outsider, mas de verniz liberal, Renan Santos(Missão), o partido do MDL, que ficou marcado pela anti-política, vem empatando tecnicamente com vários governadores pré-candidatos. Analistas apontam o crescimento dele entre jovens, entre os que acham Flávio Bolsonaro menos radical do que deveria e que não querem depender de bolsa família.

Kassab, e seu PSD, tem o mote para fazer uma escolha, e tanto, que agrade os liberais e lhe dê combustível para ser decisivo num possível segundo turno das eleições presidenciais. Hoje, se não tivermos algo novo na praça corremos o risco, de forma inédita, desde o Plano Real, de termos uma eleição se solucionando em primeiro turno, seja a favor do lulismo, seja a favor do neo-bolsonarismo.

Já virou sentimento comum que se o PSD escolher o experiente Ronaldo Caiado, que bebe na maioria das fontes do bolsonarismo, corre o sério risco de ficar irrelevante. O eleitor poderia, com fortes indícios, preferir ignorar o veemente Caiado.

Eduardo Leite está ganhando apoio da chamada Faria Lima iluminada, a partir de apoios que vem recebendo de economistas ligados ao Plano Real, turma que defende responsabilidade fiscal, gente que deu apoio a Lula em 2022, não porque dele gostasse, mas que abominava o bolsonarismo negacionista e segregacionista.

Eduardo Leite pode atrair os jovens que vem flertando com o candidato do MBL o que poderia ser algo significativo tanto para evitar uma eleição finalizada em primeiro turno, que, hoje, seria ruim não só para os políticos, mas para o país.

O primeiro turno, imprevisível e que deverá ser de xingamentos em tempos de inteligência artificial, não terá, previsivelmente, discussões fundamentais sobre o país.

Em algum momento, nesta eleição, algo novo precisa ser dito. Por incrível que parece, a raposa Gilberto Kassab pode ajudar com isso!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

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