Lula, talvez, vive o seu maior desafio!
O Governo é mal avaliado, mas as condições reais mostram que era para não sê-lo.
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(Brasília-DF) Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta desafios, aparentemente, intransponíveis ao longo de toda a sua vida.
Sobreviveu ao abandono do pai em Garanhuns, sobreviveu a viagem de pau de arara com a família para São Paulo, sobreviveu a indigência, sobreviveu aos anos de chumbo, sobreviveu na vida sindical, sobreviveu as dificuldades do PT, sobreviveu ao erro de não ter assinado a CF88, sobreviveu a pecha de sapo barbudo, sobreviveu à irrelevância que as elites lhe impunha, sobreviveu ao erro no Plano Real, sobreviveu ao Mensalão, sobreviveu a Dilma Rousseff, sobreviveu ao Petrolão, sobreviveu 480 dias de prisão, sobreviveu a Jair Bolsonaro, sobreviveu a eleição de 2022, sobreviveu....
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está de frente, talvez, de seu maior desafio.
Ele está com a caneta na mão. Ele, com a caneta na mão, elegeu um poste, Dilma Rousseff. Ele não é um Bolsonaro que perdeu a eleição no mandato, mas o antipetismo parece que nunca foi tão estridente.
O Governo é mal avaliado, mas as condições reais mostram que era para não sê-lo. Existe mais gente empregada, a renda aumentou, não existe a fila do osso, o país saiu do mapa da fome, a tributação para os mais pobres recuou, as estradas federais estão melhores, obras federais foram retomadas, o país tem protagonismo internacional face seu trabalho e mais coisas se poderia citar, mas diferente do passado as pessoas não se apercebem.
Para completar, neste ano de 2026, o Mercado, que não gosta de Lula, estava contabilizando uma queda do juro e uma inflação dentro da meta, cumprindo a meta fiscal com o dólar em queda.
Veio a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Já vivemos a maior crise de oferta da história recente de petróleo no mundo, desde 28 de fevereiro. Crise nos transportes aéreos – o Brasil vinha se destacando no Mundo como um dos países, que proporcionalmente, recebiam mais estrangeiros.
Com os últimos acontecimentos, com o bombardeio em áreas de produção de petróleo e gás, mesmo que tudo pare agora, vão se levar, no mínimo, 6 meses para se reconstruir parte do que foi destruído. O barril de petróleo brent, o mais consumido no mundo, já afeta a maior potência petrolífera do Mundo, que é o próprio Estados Unidos. Ele não bai baixar de preço mesmo que a guerra acabe, agora.
No sábado,21 de março, foi divulgado que 30% dos municípios do Rio Grande do Sul iriam restringir serviços por carência de óleo diesel. Na quinta-feira, 19, a Agência Nacional do Petróleo cobrou que todas as distribuidoras e refinarias colocassem seus estoques na rua. A ANP disse que não estava faltando combustível.
O choque do petróleo no Brasil nos anos 70 foi o responsável pela queda dos militares do poder, com inflação e recessão, e não a busca da democracia, como se alardeou.
Lula vive talvez o maior de seus desafios neste ano de 2026. Uma combinação impressionante de más notícias que envolvem um antipetismo nunca visto combinado com um choque no petróleo que não é visto há 50 anos.
Donald Trump pode querer encerrar a guerra de qualquer jeito, dizendo que ganhou. Ele tem eleições em novembro, também.
Sabe como é, pau que dá em Chico, dá em Francisco.
Por Genésio Araújo Jr, jornalistas
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