31 de julho de 2025

Bancada do Nordeste. “A gente no Brasil ainda vive muito o paulistério. Ainda se pensa no Brasil a partir de São Paulo”, afirma Zezeu Ribeiro

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Por admin
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(Brasília-DF, 05/12/2012) “A gente no Brasil ainda vive muito o paulistério. Ainda se pensa no Brasil a partir de São Paulo”, afirmou o deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA) após a explanação do presidente do Banco do Nordeste (BNB), Ary Lanzarin, nesta quarta-feira, 05, no café da manhã promovido pela Bancada do Nordeste.



O petista, que coordenou a bancada nordestina entre os anos de 2007 a 2010, afirmou, ainda, que esse pensamento que permeia os tecnocrátas da administração federal está embrenhado em todos os governos, independente da coloração partidária.



“Isso é um equívoco extraordinário de todos os governos, inclusive este que eu faço parte. A gente entende o Brasil a partir de São Paulo. E o Brasil real é outro. Nós temos que ter as políticas de desenvolvimento regional”, destacou o baiano.



DISCURSO CONTUNDENTE – Segundo Zezéu Ribeiro, se tem que materializar as políticas de desenvolvimento regional de forma concreta.



“Nós, aqui na Câmara dos Deputados, historicamente, exercemos um papel em defesa do Nordeste que é singular. Nenhuma outra bancada tem a regularidade que tem a Bancada do Nordeste. Nenhuma outra bancada tem a ação que gerou alterações profundas na realidade a partir da intervenção da Bancada”, frisou.



E para mostrar a atuação do grupo parlamentar, o petista baiano ilustrou.



“O FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste) é um exemplo de criação e formulação nossa aqui”, apontou.



FUNDAMENTAL – O ex-coordenador da bancada nordestina enfatizou, também, que o BNB é fundamental no processo de ampliação do desenvolvimento regional e que a instituição precisa ser valorizada, melhor trabalhada.



“Nós temos uma realidade concreta que é a questão do semiárido, a questão da estiagem, da seca, que não é eventual. Porque ela é permanente, cíclica. E a gente tem de ter política de longo prazo para isso. Inclusive, fiscalizando a produção. Não entender que antes de acabar com a seca, não vai acabar com a neve. Então vamos ver como a gente resolve isso”, falou.



E disse mais.



“E o Semiárido é de um potencial enorme não para reproduzir a economia de outras regiões, mas para constituir sua economia específica. E aí está o aporte da ciência e tecnologia, na verticalização, na inovação (é importante). Porque a gente precisa agregar valor a nossa produção. E aí o banco é fundamental”, acrescentou.



OUTROS ÓRGÃOS – O deputado baiano também não se esqueceu da importância de se ter os outros órgãos de apoio ao desenvolvimento regional.



“E a gente está vendo os órgãos de desenvolvimento regional definharem. O caso mais crítico de todos é do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra à Seca). Mas a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) em que foi reconstituída depois de um processo de degradação, foi, sim, um dos instrumentos necessários para (fomento do desenvolvimento regional). A Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco), também, tem problemas”, comentou.



E para resolver essa questão, o parlamentar quer que a Bancada do Nordeste tome frente e vá debater de frente com ministros.



“Eu quero, e acho importante, que o banco se afirme nesta questão. Eu acho que a gente deveria ir aos ministros da Fazenda, do Planejamento, da Integração Nacional e tirar esta questão a limpo. Não dá para a gente viver nesta instabilidade. E é preciso que o banco e a sua direção assuma a defesa desta questão (das políticas de desenvolvimento regional)”, emendou.



E falou mais.



“A solução para o Brasil se tornar uma economia pujante no mundo está indissociavelmente ligada à superação das diferenças regionais. Se nós não mantivermos, explicitamente, uma política de desenvolvimento regional, onde a gente valoriza os órgãos de atuação regional, nós não vamos conseguir isso”.



CRÍTICAS AS DESONERAÇÕES – O petista falou, por fim, que o país não pode continuar com o atual modelo de fomento à economia, que retira recursos dos Estados e municípios que mais precisam.



“(Se continuar assim) nós vamos criar os vícios de riqueza e a pobreza ali do lado. E a gente vê que as políticas (federais) continuam retirando recursos do Nordeste. Eu dou dois exemplos já citados. Um é o que isenta alguns determinados segmentos e retira recursos que deveriam fomentar o Nordeste”, disparou.



E foi além.



“O outro (problema) é que em todos os outros lugares do Brasil, os recursos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) são recursos do Tesouro aplicados pelo Banco do Brasil, sendo assim recursos nacionais. E no Nordeste são recursos do FNE. Então, assim a gente não traz dinheiro novo. Essa coisa precisa acabar”, disparou.



(por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)