31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Ex-coordenador da Bancada do Nordeste não acredita que novo Plano Nacional de Irrigação substitua, na região, a agricultura familiar pela empresarial. Gonzaga Patriota (PSB-PE) abordou, ainda, numa entrevista exclusiva à Polític

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(Brasília-DF, 18/05/2012) O ex-coordenador da Bancada do Nordeste, deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), afirmou com exclusividade para a Agência Política Real, que não acredita que o novo Plano Nacional de Irrigação substitua, na região, a tradicional agricultura familiar por uma agricultura empresarial mais moderna.



Para ele, o modelo secular de agricultura familiar instituído no Nordeste não será trocado por uma agricultura comercial como a dos grandes produtores rurais do Oeste da Bahia e do Sul do Piauí, que tornaram àquelas áreas grandes produtoras de grãos, como soja, algodão, dentre outras oleoginosas.



A declaração do parlamentar ocorreu na última quarta-feira, 16, oportunidade em que o congressista prestigiava a posse dos novos presidentes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) e da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Segundo ele, os dois órgãos “importantes para o desenvolvimento” da região. Porém, para ele, a Sudene necessita de uma revitalização, porque ela anda “muito esvaziada”, falou.



O deputado socialista analisou, ainda, a importância dos programas “Água Para Todos” e “Bolsa Estiagem”, onde – de acordo com ele – vão auxiliar a presidenta Dilma Rousseff “conseguir acabar com os carros-pipas”.



Abaixo a Agência Política Real disponibiliza a entrevista exclusiva que Gonzaga Patriota concedeu para a nossa reportagem.







Política Real: Como o Sr. analisa para o Nordeste a posse, hoje, dos novos presidentes da Codevasf e Sudene?



Gonzaga Patriota: Tanto a Codevasf, quanto a Sudene são órgãos importantes para o desenvolvimento do Nordeste.



Em que pese a Sudene estaá muito esvaziada, morreu, ficou alguns anos sem funcionar. A Codevasf por outro lado desenvolve não apenas o Estado de Pernambuco, mas, também, agora o Estado do Piauí, além dos demais Estados. E a gente participar dessas posses é importante porque a gente fica perto e próximo a esse desenvolvimento, seja em recurso para esses órgãos e, também, cobrar a aplicação desses recursos.









Política Real: O ministro Fernando Bezerra durante a posse do presidente do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), no dia 20 de abril, falou à época que o Nordeste será revirado com a proposta do governo federal de implantar um promissor Plano de Irrigação. Com o Sr. analisa essa promessa?



Gonzaga Patriota: Infelizmente essas coisas chegam numa seca terrível como essa que é uma das maiores dos últimos 50 anos. Mas a gente tem que analisar, também, como positivo. E o projeto que eu venho lutando há muito tempo que é o ‘Água Para Todos’ entrou em vigor. Esse ‘Brasil sem Miséria’, também. E agora esse novo projeto da Bolsa-Estiagem que a presidente Dilma lançou. Então, a gente acredita que agora, com a presidente Dilma, a gente possa conseguir recursos para acabar com os carros-pipas, através de adutoras.



A gente possa aproveitar um pouco a água do São Francisco na irrigação e, também, no abastecimento de água de todo o Nordeste.







Política Real: Mas se fala que com o novo Plano Nacional de Irrigação, que está para ser lançado até o final do mês de maio, ele irá transformar a cara da agricultura na região Nordeste, que passará da tradicional agricultura familiar para uma agricultura empresarial moderna. Como o Sr. vê isso?



Gonzaga Patriota: Não. Não creio que isso acontecerá.



Porque a agricultura do Nordeste já é de agricultura familiar. Não tem, a não ser na região de Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano, um pouco no sul do Piauí, o resto do Nordeste é de agricultura familiar. Então o que agora a gente consegue com o ‘Água Para Todos’ é mais água para as pessoas e para os animais. O problema de irrigação são as margens do rio São Francisco e um pouco no Parnaíba. Isso não vai descaracterizar a agricultura familiar da região.





Política Real: Então o Sr. não acredita nesta transformação?



Gonzaga Patriota: De maneira alguma.



Isso não vai acontecer. Gostaria até que a gente tivesse mais chuva no Nordeste para que a gente aumentasse a agricultura familiar. Porque ela não é vista. A gente diz assim: 130 milhões de toneladas de grãos o Brasil produziu. Esse é o que se exporta. O Brasil produz outros 230 milhões que a gente come feito pela agricultura familiar.





(por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)