31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Programa Ciências Sem Fronteiras e sua importância para o Nordeste. A Política Real fez uma ampla avaliação sobre o tema

.

Por admin
Publicado em

(Brasília-DF, 04/11/2011) A POLITICA REAL tem insistido em suas entrevistas com parlamentares e especialistas sobre o Nordeste brasileiro, em temas ligados a ótima fase por que passa aquela região e, mais ainda, em alternativas que visem à manutenção desse crescimento, que está acima da média nacional. Todos são unânimes ao afirmar que nenhum crescimento se sustenta sem qualificação de mão de obra e de formação de gestores e pesquisadores. Outra grande carência do Brasil e, em especial da região Nordeste.

O velho, e mais atual do que nunca, discurso de que sem educação não há desenvolvimento, é a razão desta matéria da série Especial de Fim de Semana, da POLITICA REAL.

Por conta disso, fomos conhecer para contribuir divulgando para a região Nordeste, o Programa Ciências Sem Fronteiras, do governo federal, que pretende até 2014, que 75 mil estudantes possam ir ao exterior, com bolsas de estudo e passagens áreas pagas, além de seguro médico. Alunos que cursam desde o nível médio até o pós-doutorado poderão ser beneficiados por este novo programa de internacionalização.



O programa é de iniciativa dos ministérios da Educação e do de Ciência e Tecnologia. Mas está sob a gestão do CNPQ(Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).



Publico alvo do programa Ciências Sem Fronteiras





O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante, declarou que o novo programa pretende atender áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento do país. Dada a escassez de mão de obra qualificada em engenharia e tecnologia, portanto, tais setores serão o ponto central da iniciativa.



Ele justificou: “São áreas em que o mercado de trabalho está aquecido e há déficit de pessoal. Para cada 50 formandos no país, temos apenas um engenheiro.”





Ainda sobre o programa, o ministro Mercadante disse que o número de formandos em ciências humanas cresceu 66% em 2009 comparado com 2001. No mesmo período, o número de formandos em engenharia apresentou crescimento de apenas 1%. Ele detalhou que o programa pretende conceder 27 mil bolsas de três anos para alunos de graduação; 24 mil bolsas de um ano para alunos de doutorados e 9.700 para cursos de doutorado de quatro anos entre outros.



Mercadante destacou que há um déficit de engenheiros no País e que é preciso investir na formação de novos profissionais e pesquisadores. Ele afirmou que o governo está fazendo contatos e firmando convênios com 238 universidades no exterior para garantir as vagas dos 75 mil estudantes. O programa, segundo ele, está avaliado em R$ 3,1 milhões.



O programa foi lançado em 26 de julho passado pela presidenta Dilma, mas conforme já programado na ocasião, ele só começaria a publicar os editais agora em novembro. O que já ocorreu para que alunos de todo o Brasil possam de habilitar pela disputa das primeiras 2 mil bolsas.



Na ocasião do lançamento, Dilma declarou que o foco do governo na educação será na área de ciências exatas. Ela disse, também, que a meta não é diminuir a atenção na formação de profissionais na área de humanas, mas dar um salto especialmente na formação de engenheiros. “O Brasil precisa dar um salto em inovação, ciência e tecnologia”, disse Dilma.



Como o lançamento do programa foi durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Dilma foi questionada pelos conselheiros se o Programa Ciências Sem Fronteiras não excluiria os alunos de regiões mais carentes do Brasil, em seu processo seletivo, uma vez que nestas regiões, como o Nordeste, por exemplo, há uma carência de décadas em qualificação de professores. Além do que, alunos carentes destas regiões não teriam o mesmo acesso a cursos de línguas e a uma boa formação secundarista, que os de regiões mais desenvolvidas.



A presidenta Dilma disse que o mérito será o critério determinante e que esse critério não exclui camadas mais humildes. Ela afirmou que programas como o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) beneficiam hoje um público de 124 mil estudantes pobres e estes alunos terão condições no critério do mérito de obter bolsas no exterior.



Sobre o Programa Ciências Sem Fronteiras ela disse:



“Não pretendemos formar 75 mil cientistas individuais ou 75 mil Einsteins, mas a base do pensamento do País. Que estes estudantes voltem e transformem com sua capacidade e com sua formação o conhecimento e a inovação do País.”



O que o Nordeste tem a ganhar com o Programa Ciências Sem Fronteiras



Como o foco da POLITICA REAL é a região Nordeste, fomos ouvir pessoas que entendem a região, sobre as perspectivas do programa.



Ouvimos o cientista político da UnB (Universidade de Brasília) e consultor, Paulo Kramer e o senador Wilson Santiago do PMDB da Paraíba, criador da Frente Parlamentar do Semi Árido Nordestino. Ambos já falaram em edições Especiais Fim de Semana, da Política Real, o que os qualifica como conhecedores e defensores das causas nordestinas.

O professor Paulo Kramer nos revelou que está concluindo, em parceria com o sue colega Roberto Damatta, pesquisa nacional encomendada pelo SENAI(Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e pela PUC/Rio de Janeiro(Pontifícia Universidade Católica), para traçar uma “radiografia” do quadro de engenheiros no Brasil. O trabalho, segundo Kramer, visa conhecer a profissão sob todos os aspectos e demandas possíveis. Ele disse que “este projeto visa estudar o engenheiro do ponto de vista do mercado de trabalho, da sua perspectiva profissional, e da imagem que outros grupos da sociedade fazem dos engenheiros, além da auto-imagem que os engenheiros têm de si mesmos”.



Para isso realizaram pesquisas quantitativas e qualitativas em todo o Brasil.



Na qualitativa foram ouvidos “pessoas do ramo”, engenheiros e empresas estatais e privadas que trabalham com o setor, professores universitários, de departamentos de engenharia, além dos conselhos do setor, como CONFEA e CREA.



Na pesquisa quantitativa foram ouvidos mais de 3 mil estudantes em engenharia, de faculdades públicas e privadas.



Como o estudo ainda não foi entregue aos contratantes, a POLITICA REAL teve acesso exclusivo a parte das conclusões, que são:



Que existe de fato uma carência quantitativa e, segundo Paulo Kramer, principalmente qualitativa de engenheiros, com o aquecimento do mercado. “Que se reflete, por exemplo, nos noticiários que tem sido acompanhados com interesse pelos estudantes de engenharia”, destacou Kramer. Prova disso, ainda segundo ele, é que quando indagou a um aluno como ele espera estar “daqui a um ano depois de formado”. Eles afirmam que estarão com certeza empregados e ganhando um salário acima da média dos demais segmentos profissionais.



Outra conclusão que o estudo mostrou, foi a “importação” de engenheiros. “A engenharia tradicional, a engenharia civil tem trazido profissionais da Bolívia. E a engenharia voltada para a exploração de petróleo e gás, tem trazidos profissionais dos países bálticos, por exemplos.”. Salientando o professor a demanda em absolutamente todos os setores desse mercado de trabalho.



Ele alerta que os cursos de engenharia precisam atrair jovens talentos “vocacionados” se o Brasil quiser resolver o problema de mão de obra para o setor. Ele disse que para isso acontecer, outro problema apontado pela sua pesquisa precisa ser solucionado, que é o da fragmentação da grade curricular brasileira nos ensinos fundamental e médio. Além da própria grade das universidades que, segundo ele, “estimulam o abandono do curso logo no início, devido a carga puramente teórica, faltando associar a isto exercícios práticos”. Kramer disse que sua pesquisa mostrou que nas avaliações internacionais, como o Teste de Aptidão e Raciocínio Lógico, os estudantes brasileiros aparecem “lá embaixo”, por não “fui cumprida a função primordial das escolas, que é a de ensinar ler, escrever e contar”. E isso, ainda segundo o professor, é um retrato de “absolutamente todo o Brasil”.



Ele lembrou que por décadas, devido ao fraco desempenho da economia brasileira, os engenheiros das duas uma: ficavam nas pequenas obras, ou migravam para o mercado financeiro, onde tinham grande êxito graças à sua formação em ciências quânticas. E citou exemplos desses engenheiros, como Mario Henrique Simonsen, Armínio Fraga e Henrique Meirelles.



O Nordeste vai levar o Brasil nas costas



Paulo Kramer salientou que agora, devido ao aquecimento da economia e ao crescimento da região Nordeste, inclusive acima da média nacional, além do da imensa vantagem que aquela região leva por conta da sua pirâmide etária (muito mais mão de obra jovem que o resto do país), o jogo tem tudo para inverter. A continuar neste ritmo, e não vejo razão para mudar, muito em breve “o Nordeste é que vai levar o Brasil nas costas”. Ele lembrou que “nenhuma outra região do Brasil tem a quantidade de jovens precisando trabalhar e se qualificar. O momento é do Nordeste. Este crescimento verificado lá não é à toa. E programas como o Pronatec e o Ciências Sem Fronteiras serão os grandes veículos para o Nordeste brasileiro”.



Paulo Kramer concluiu lembrando que os representantes do Nordeste no Congresso Nacional terão papel fundamental neste momento para a região. Segundo ele, “tradicionalmente no Brasil, quando as autoridades em ciência e tecnologia e desenvolvimento com educação tratam de projetos de desenvolvimento só lembram-se de São Paulo e Rio de Janeiro. Então, cabe aos empresários e políticos nordestinos ficarem atentos a isso. Pois, peso na economia e representatividade não lhes faltam”.



Por conta disso, POLITICA REAL foi ouvir, também com exclusividade, o Presidente da Frente Parlamentar do Semi Árido Brasileiro, o senador Wilson Santiago(PMDB/PB). Para quem não se recorda a região do semi árido abrange os estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, além de parte de Minas Gerais. Nele concentram-se 56% dos habitantes do Nordeste brasileiro.



Wilson Santiago disse que o Programa Ciências Sem Fronteiras “será redentor para a região Nordeste”. E lembrou que a criação da Frente do Semi Árido, por ele proposta, visa um leque de ações entre os governos dos municípios e dos estados da região, como o governo federal. “Verifico feliz que o governo federal tem voltado os olhos para o Nordeste. Coisa que estamos reclamando e aquela região espera a décadas. Programas como o Pronatec e este, o Ciências Sem Fronteiras, vão dar ao povo nordestino a oportunidade que sempre desejaram e nunca tinham conseguido”. Ele salientou a importância que o programa dará caso seja aprovada proposta de sua autoria que sugere a criação da Zona Franca nordestina. “Ninguém segura mais o Nordeste se isso acontecer!”. Exulta Santiago.



A POLITICA REAL pesquisou e informa para você



O que é o Programa Ciências Sem Fronteiras?



Ciência sem Fronteiras é um programa que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional.



O projeto prevê a utilização de até 75 mil bolsas em quatro anos para promover intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior com a finalidade de manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação. Além disso, busca atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil ou estabelecer parcerias com os pesquisadores brasileiros nas áreas prioritárias definidas no Programa, bem como criar oportunidade para que pesquisadores de empresas recebam treinamento especializado no exterior.





Quais são as áreas prioritárias do Programa?



No programa Ciência sem Fronteiras, as áreas prioritárias são:



· Engenharias e demais áreas tecnológicas;



· Ciências Exatas e da Terra;



· Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde;



· Computação e Tecnologias da Informação;



· Tecnologia Aeroespacial;



· Fármacos;



· Produção Agrícola Sustentável;



· Petróleo, Gás e Carvão Mineral;



· Energias Renováveis;



· Tecnologia Mineral;



· Biotecnologia;



· Nanotecnologia e Novos Materiais;



· Tecnologias de Prevenção e Mitigação de Desastres Naturais;



· Biodiversidade e Bioprospecção;



· Ciências do Mar;



· Indústria Criativa;



· Novas Tecnologias de Engenharia Construtiva;



· Formação de Tecnólogos.



Buscamos, também, respostas às sete perguntas mais freqüente sobre o Programa.



1) Como faço para me inscrever no programa?



Alunos de graduação serão selecionados pela instituição onde estudam via processo seletivo interno ou através de chamadas públicas divulgadas pelo CNPq ou pela CAPES. Estudantes de pós-graduação e pesquisadores deverão participar das chamadas públicas para as diversas modalidades de bolsa. As chamadas serão divulgadas no portal do programa (www.cienciasemfronteiras.cnpq.br), do CNPq (www.cnpq.br) ou da CAPES (www.capes.gov.br).



2) Os estudantes e pesquisadores beneficiados pelo programa só poderão trabalhar dentro das áreas prioritárias do CsF?



Sim. Todos os bolsistas do programa terão obrigatoriamente que desenvolver atividades dentro das áreas prioritárias do CNPq.



3) O CNPq vai pagar as mensalidades e as taxas dos estudantes no exterior?



Com respeito às cotas de bolsa Graduação Sanduíche no Exterior (SWG) disponibilizadas aos coordenadores do PIBIC/PIBITI no âmbito do Programa Ciência sem Fronteiras e tendo em vista a dificuldade de negociação com algumas universidades no exterior, a coordenação do Programa decidiu cobrir o pagamento das taxas escolares (tuition/fees), as quais deverão ser negociadas dentro de valores aceitáveis. Nos casos em que o pagamento das taxas ofereça acomodação e alimentação (room and board), o valor mensal da bolsa paga diretamente ao estudante será de US$ 300,00 ou valor equivalente na moeda do país de destino.



4) Ainda não concluí a graduação, posso participar do programa?



Sim. O nível inicial do CsF é o de graduação. Neste nível, o aluno deverá estar matriculado em curso de graduação no Brasil e poderá pleitear a bolsa Graduação Sanduíche no Exterior (SWG) para fazer um estágio de 6 a 12 meses no exterior.



5) Como será contornada a barreira do idioma?



As instituições de ensino superior brasileiras estão sendo estimuladas a oferecer cursos intensivos de língua estrangeira para os potenciais candidatos à bolsa que tenham dificuldade no idioma utilizado na instituição de destino. O ensino superior em alguns países (como Alemanha, China e Coréia) é total ou parcialmente realizado em língua inglesa, possibilitando a candidatura de estudantes e pesquisadores com domínio de língua inglesa para esses países. A CAPES irá oferecer cursos de inglês à distância de alta qualidade para os estudantes brasileiros já aceitos no programa. O acesso a cursos de curta duração também poderá ser negociado, conforme a necessidade. No sentido de facilitar a vinda de estudantes e pesquisadores do exterior para o Brasil, as Embaixadas e Consulados brasileiros estudam a possibilidade de promover Cursos de Português no exterior. Grupos locais ajudarão na inserção de estrangeiros, facilitando a superação da barreira do idioma nesses casos.



6) Quais são os critérios para concorrer às bolsas de Graduação Sanduiche no Exterior (SWG)?



Serão elegíveis os estudantes com bom aproveitamento acadêmico, assim como os participantes dos programas de Iniciação Científica. Os alunos premiados em Olimpíadas de Matemática ou Ciências, Feiras Científicas e atividades similares, de mérito reconhecido, também são elegíveis a participar do programa. De imediato, serão distribuídas cotas de bolsas para as instituições participantes dos programas PIBIC e PIBITI, bem como a grupos de pesquisas em rede como os INCT.



7) O programa contempla alguma modalidade de bolsa para Mestrado no exterior?



Não, o CNPq não concede bolsas de Mestrado no Exterior.





Veja nos links abaixo as entrevistas exclusivas concedidas a POLITICA REAL, para a Série Especial de Fim de Semana, do Professor Paulo Kramer e do Senador Wilson Santiago. Kramer fala do ótimo momento para o Nordeste e Santiago fala de suas propostas da a região, como a criação da Zona Franca nordestina.





Link da entrevista com Paulo Kramer



http://www.politicareal.com.br/noticia.php?id=35537



Link da entrevista com Wilson Santiago







http://www.politicareal.com.br/noticia.php?id=35895











(Por: Francisco Lima Jr., especial para Política Real, com edição de Genésio Jr.)