31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Câmara publica ensaio sobre atuação parlamentar de ex-governador biônico da Paraíba. Livro que trata dos mandatos de Ernani Sátyro, deputado da UDN, no legislativo federal tem 784 páginas<BR>

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(Brasília-DF, 12/08/2011) O CEDI (Centro de Documentação e Informação) da Câmara lançou na noite da última quarta-feira, 10, o número 61 da série “perfis parlamentares”, que conta a trajetória parlamentar do ex-governador biônico da Paraíba entre 1971 a 1975, Ernani Sátyro, pela UDN (União Democrática Nacional) que após o golpe de 1964, desembocou na antiga Arena (Aliança Renovadora Nacional) e posteriormente na fundação do PFL (Partido da Frente Liberal), atual DEM (Democratas).









RESUMO – O livro-homenagem que traz em suas 784 páginas os principais discursos, pronunciamentos e PL’s (Projetos de Leis) de sua iniciativa e também os relatados do deputado Sátyro, parlamentar por sete mandatos, de 1946 a 1968 e depois de 1978 a 1986, quando faleceu, traz ainda um pequeno ensaio biográfico, onde são contadas as origens, os estudos, a vida pública, o amor pelas letras e por fim o seu necrológio.









CARGOS – No final da longa publicação, é oferecido aos leitores 17 fotografias que contam através da imagem, a infância até o último mandato parlamentar de Ernani Sátyro, que exerceu ainda o cargo de ministro do STM (Superior Tribunal Militar) por indicação do ex-presidente do Brasil, Artur Costa e Silva, entre 1968 a 1970, além de ter sido deputado estadual entre 1934 a 1937, pelo PL (Partido Libertador), chefe do departamento de Polícia do Estado Novo no Estado da Paraíba e prefeito nomeado da João Pessoa por 19 dias na gestão Argemiro Figueiredo, interventor estadual.









RELAÇÃO – Escrito por Flávio Sátiro Fernandes, conterrâneo do ex-governador e ex-parlamentar do município de Patos, no interior da Paraíba, que o indicou em 1975, quando no exercício do governo da Paraíba, para conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado), onde hoje exerce a função de ouvidor daquele órgão. O autor do ensaio sobre a atuação parlamentar de Ernani Sátyro foi ainda o secretário-chefe da Secretaria de Interior e Justiça da Paraíba em 1974 por convite do homenageado à época.









BRIGA COM COVAS – Um dos relatos contidos na publicação, conta que Ernani Sátyro por volta de 1967, quando ocupava o cargo de líder da Arena, quando defendia diariamente o governo militar da tribuna da Câmara, dos ataques do então líder oposicionista do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), Mário Covas (SP), foi aconselhado pelos médicos a se distanciar dos apupos e das discussões mais acaloradas. Foi aí, um ano mais tarde, em 1968, que à convite do segundo presidente dos militares, Costa e Silva, assumiu um cargo no STM, onde ficou por pouco tempo em virtude de sua aposentadoria.









BAIONETAS – Mas a aposentadoria e os problemas cardíacos não afastaram Ernani Sátyro da política, em julho de 1970, quando ele obtêm do então presidente da República – o terceiro da era militar – Emílio Garrastazu Médici a indicação para concorrer ao governo da Paraíba em eleição promovida pelos deputados estaduais membros da Assembleia Legislativa. Sem mais problemas de saúde, exerceu todo o mandato de governador ofertado pela ALPB, entre 15 de março de 1971 a 15 de março de 1975, quando transmitiu o cargo para o sucessor Ivan Bichara Sobreira, a quem fez campanha para que o quarto presidente da República do regime militar, Ernesto Geisel, avalizasse a indicação e sobre a mira das baionetas garantisse a eleição junto aos deputados da ALPB.









SAUDAÇÕES – O ensaio sobre a atuação parlamentar de Ernani Sátyro destaca-se dentre as homenagens que ele proferiu em plenário aos 18 do Forte de Copacabana, realizado em 1951; uma saudação ao ministro das Relações Exteriores da Áustria, feita em 1952 e uma outra saudação ao ex-presidente uruguaio Eduardo Victor Haedo, um dos criadores do movimento “Aliança para o Progresso”, que tinha como objetivo de afastar o “fantasma” do comunismo na América do Sul.









FIGURAS ELOGIADAS – Dentre as figuras que receberam elogios do ex-deputado Ernani Sátyro, se destacam Getúlio Vargas, feito em 1959; Santiago Dantas de 1964; o mentor do golpe militar no Brasil, Castelo Branco em 1967; Assis Chateaubriand, o maior empresário das comunicações do Brasil em 1968; o interventor da Paraíba durante o Estado Novo, Argemiro Figueiredo em 1983.









TEMAS – Os principais temas que Sátyro levava a tribuna da Câmara podem-se resumir a luta pela autonomia dos municípios, contra a definição da lei que estabeleceu o subsolo como propriedade da União, a busca por regras mais rígidas na legislação eleitoral, os problemas enfrentados pelos produtores rurais, a defesa dos pequenos e médios açudes, a exigência de refinarias de petróleo no Nordeste e a defesa da criação da Petrobrás e do monopólio da exploração do petróleo pelo Estado.









(Por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)