31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. José Agripino faz balanço do primeiro semestre do governo Dilma. Ele critica a falta de inserçào nordestina do Brasil Maior entre outros assuntos<BR>

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Por admin
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( Brasília-DF, 12/08/2011) A Política Real ouviu, com exclusividade, o senador José Agripino (DEM-RN), líder e presidente do seu partido no Senado, que fez um balanço dos primeiros oito meses do governo Dilma. Agripino fala dos escândalos, da tentativa em apurá-los, da paralisia que tomou conta do governo, segundo ele, da crise internacional e do Programa Brasil Maior.







Política Real – Senador, como o Sr. avalia os 8 primeiros meses do governo Dilma?







José Agripino – Em primeiro de tudo, se esperava da ex-ministra Dilma, que era a mãe do PAC e que agora é a presidenta da República, um desempenho administrativo outro e que as obras iriam andar a mil por hora. O que se vê é que a transposição do São Francisco está parada, temos um monte de obras anunciadas. E quando anda alguma coisa é em passos de tartaruga. Basta ver o balanço do primeiro semestre, o andamento das obras do PAC. Ou seja, muito menos da metade do previsto aconteceu e com o governo dispondo de caixa para pagar as obras. É um governo muitos de anúncios, que anuncia um trem bala e não conclui os metrôs. Um trem bala que é um investimento para servir ao eixo Rio-S.Paulo, e que não impede que os metrôs de Fortaleza, Recife, Salvador e Belo Horizonte, saiam do papel. Como não impede, também, que expansões do metrô de São Paulo aconteçam beneficiando milhões de trabalhadores, que esses sim é que precisam de um transporte público de qualidade e barato. Veja, o governo privilegia um empreendimento novo e megalômano, em detrimento de empreendimentos que beneficiam a grande massa de trabalhadores por todo o Brasil.



Em minha opinião, o governo está lento, pois se esperava que ela como a mãe do PAC, desse velocidade necessária às obras de governo. É um governo lento e de propostas apenas feitas para criar factóides. O trem bala foi anunciado para criar um factóide, já que caiu no descrédito por que nem empresário interessado em participar do projeto apareceu. Além das criticas de ser um investimento que nem é tão prioritário quanto é a conclusão dos metrôs.



Por outro lado, o esquema de corrupção que está sendo investigado e que foi montando no governo passado e esta provocando um claríssimo atrito entre o PT e os partidos da base. No ministério do Turismo o acusado é um ministro do PMDB (Pedro Novais), quando na verdade, o dolo foi praticado na gestão de ministro do PT do governo passado (Marta Suplicy). No ministério dos Transportes fica também a dúvida de quem é a culpa: é do PR, é do PT? No ministério da Agricultura, de quem é a culpa? É do lobista ligado ao PT (Júlio Froes), é do ministro do PMDB (Wagner Rossi)? É da CONAB do PTB? E, em cima disso tudo o governo truculentamente evitando que as CPI’s se instalem. Quando a gente consegue as 27 assinaturas, na madrugada o governo atua e manda retirar as assinaturas evitando que se faça a investigação. Ou seja, é um governo que anuncia um factóide da faxina, por um lado, com a boca, e por outro lado com a mão, retira as assinaturas que fariam, na verdade a faxina pela investigação, acreditada e segura.







Política Real – O cientista político David Fleischer afirma que a principal razão de tamanha corrupção é a impunidade. De que maneira o Sr acha que o Senado Federal pode contribuir para mudar esse cenário?







José Agripino – Com o apontamento dos culpados. Além das CPI’s acontecendo e o Congresso exercendo o seu papel, independente de ser partido de oposição ou não. O apontamento dos culpados é que vai levar o Poder Judiciário a abrir processos e com a reforma judiciária que está posta, com o processo instalado vai apontar culpa e pena. E com a pena você vai, evidentemente, combater a impunidade.











Política Real – Como parlamentar da região nordestina, que avaliação o Sr faz do Plano Brasil Maior, com relação ao Nordeste?







José Agripino – É um Programa Brasil Maior para alguns. É um Programa Brasil Maior para pavimentar as exportações, tendo em vista a desindustrialização. Ele leva vantagens para algumas empresas do setor industrial e que foram exportadoras e que perderam a oportunidade de exportar por questões do câmbio. São medidas que mais ou menos tentam curar a febre quebrando o termômetro.



Na verdade, o que é preciso fazer, para termos um Brasil Maior, no ramo das exportações, para recuperar o PIB industrial do Brasil, é você facilitar a vida das empresas pela questão do câmbio. E o câmbio está sobrevalorizado pelo fato do Brasil ter que trocar os dólares que entram por reais, e pelo fato do governo não ter os reais, e ter que comprar esses reais no mercado pagando a taxa selic de 12,5%. E essa taxa de juros, evidentemente, atrai cada vez mais dólares. Quanto mais entra dólares no país, maior será a valorização do real frente ao dólar. E como o real fica valendo muito, o dólar fica subvalorizado diante do real e as exportações do Brasil ficam diminuídas. Então, o Programa Brasil maior, é apenas para alguns. É a tentativa de curar a febre quebrando o termômetro.







Polítifca Real – Só nos restam mais 4 meses deste ano. O Sr acha que este é um ano perdido para este governo e, consequentemente, para o Brasil com relação ao governo Dilma?







Joseé Agripino – Eu não diria perdido.



Eu vejo que a crise que o mundo enfrenta e que atinge também o Brasil, vai dificultar a caminhada desse governo no começo. Por que o governo, neste começo não está levando a efeito o cronograma das obras programadas, muito embora existisse o dinheiro para fazê-las. Está inundado de denúncias de corrupção. É corrupção em ministério a, b, d e d. É como um processo endêmico de corrupção. E, mais do que isso tudo, um governo que para tentar iludir a opinião pública cria factóides como o trem bala, e outras coisas, prometendo cosias que não vai fazer, como os milhões de casas que está anunciando, fazendo apenas centenas.



Então, o que eu posso esperar? Eu posso esperar um “freio de arrumação” que só acontecerá, em função de tudo isso que estamos vendo, na medida em que os erros sejam investigados. A começar pela corrupção, e a investigação da corrupção só se dará com isenção e com conseqüência prática e pela coibição da impunidade, através da instalação de comissões parlamentares de inquérito. Que sim tem instrumento para apurar e rapidamente apontar culpados, entregar conclusões ao Poder Judiciário, para que este estabeleça processo de julgamento com a aplicação de penas.



Então o que eu espero? É que neste segundo semestre o governo supere a crise econômica, encontre caminhos financeiros, com equilíbrio orçamentário para tocar as obras programadas. Mas que se permita, fundamentalmente, um amplo processo de investigação de toda essa corrupção que é, sem dúvida, a causa maior de toda essa paralisa que lamentavelmente verificamos no primeiro semestre.



( Por Francisco Lima Jr, especial para a Política Real, com edição de Genésio Jr )