Bancada do Nordeste. “Governo vai segurar aplicação de investimentos no Nordeste para conter a crise”, diz Carlos Brandão. Parlamentar maranhense comenta impactos da crise mundial e cobra do Banco do Nordeste tratamento diferenciado para o estado do Maran
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(Brasília-DF, 10/08/211) “Acho que o governo federal vai tentar segurar os investimentos e o Nordeste mais vez será o grande prejudicados”. A afirmação foi feita nesta quarta-feira,10, pelo deputado federal Carlos Brandão (PSDB-MA), ao fazer uma avaliação da crise econômica internacional e seu impacto direto na economia brasileira, em especial, na região Nordeste..
Em entrevista exclusiva à Agência de Notícia Política Real, o parlamentar falou das potencialiades do seu estado, o Maranhão, e das reivindicações que fez ao presidente do Banco do Nordeste (BNB), Jurandi Santiago, na reunião dos parlamentares da Bancada nordestina na Câmara dos Deputados, realizada na manhã de hoje.
Política Real – Deputado, o Brasil está preparado para enfrentar a crise mundial?
Carlos Brandão – Toda crise faz com que o governo contenha os recursos para ver como ela se comporta. Como a crise mundial se reiniciou agora, o governo brasileiro vai segurar a aplicação dos recursos, a liberação das emendas e qualquer tipo de investimento para que não corra riscos. Na hora que o governo se descapitaliza, ele se fragiliza. Então, a tendência é segurar os recursos para que a crise não chegue a atingir o País.
Política Real – Quem sai prejudicado nessa história?
Carlos Brandão – A gente vê prejuízos em todos os segmentos. Ações continuadas, por exemplo, provavelmente vão reduzir a velocidade de investimentos, e ações novas dificilmente começarão. Então o maior prejuízo não é para as ações que já começaram, mas para as que ainda não iniciaram, pois com certeza vai faltar recursos para isso.
Política Real – Qual o impacto da crise mundial na economia do Nordeste?
Carlos Brandão – Na reunião com o Banco do Nordeste nós discutimos medidas para que a gente preserve a nossa região. O Nordeste é uma região sacrificada e que precisa ter um tratamento privilegiado, pois não tem o privilegio das chuvas contínuas normais. Acho que o momento vai ser de contenção de liberação de recursos. É uma região que já vem sofrendo há muito tempo e não tem mais condições de estar cedendo a essas reduções e discriminações. Acho que mais uma vez o Nordeste vai sair prejudicado. Justamente no momento que a região precisa de mais apoio, mais subsídios. Não dá pro Nordeste contribuir para conter a crise. Acho que Sul tinha que contribuir mais que o Nordeste neste sentindo. Portanto, os recursos que estão previstos para serem aplicados no Nordeste devem ser mantido, e se for caso, até ampliado. Se tiver que ter um corte que seja no Sul e Sudeste, onde tem mais gordura, as empresas estão mais sólidas, tem mais estrutura e suportam mais qualquer tipo de crise.
Política Real – Na reunião da Bancada do Nordeste com o BNB, o senhor reivindicou uma atenção diferenciada para o Maranhão. Porquê?
Carlos Brandão – A nossa preocupação é com relação aos investimentos do Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste (FNE). Os estados da Bahia, Ceará e Pernambuco, são altamente privilegiados em relação ao Maranhão. Esses três estados têm uma média de um bilhão e 700 milhões de aplicação, isso o próprio presidente do BNB revelou para a Bancada, aprovado num conselho, na Sudene, formado por governadores. Lamentavelmente para o Maranhão foi repassado apenas 900 milhões. O nosso estado que é potencialmente rico em recursos naturais: tem terras férteis, oito bacias hidrográficas perenes, destacada produção pesqueira e potencial enorme no setor primário. E 60 por cento da população vive na zona rural. Precisa de mais apoio. Mas o que faltou aí, me parece, foi força política. Dos R$ 900 milhões que foram destinados ao Maranhão, por exemplo, já se aplicou 600 milhões no primeiro semestre. Então, há demanda, os recursos estão sendo bem aplicados, o índice de inadimplência é bem pequeno.
Política Real – O senhor então vai continuar lutando por mais investimento no Estado?
Carlos Brandão – O que nós estamos fazendo é lutando para conseguir mais recursos, porque sabemos que esses recursos estão sendo bem aplicados. Sabemos que existe uma politica de prioridades para os micro produtores. Estamos, portanto, lutando para que haja um aumento do repasse para os médios produtores, que são os grandes estruturadores de produção de mão-de-obra no Estado do Maranhão. Isso porque o micro produtor geralmente é ele e a família. O médio gera emprego. No momento que investirmos mais no médio produtor, estamos criando mais oportunidades de geração de emprego.
(por Gil Maranhão, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)