ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Parlamentares do Nordeste comentam nomeação do novo ministro da Defesa
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(Brasília-DF, 05/08/2011) – Parlamentares que integram a Bancada do Nordeste na Câmara dos Deputados comentaram nesta sexta-feira, 5, com exclusividade para Agência de Notícias Politica Real, a nomeação, pela presidente Dilma Rousseff, do ex-chanceler Celso Amorim para o Ministério da Defesa (que engloba o Exército, Marinha e Aeronáutica), bem como a passagem de Nelson Jobim pela pasta.
Este foi o terceiro ministro do governo Dilma a cair em três meses – os outros dois foram Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transporte). Jobim deixou o Ministério da Justiça após declarações com críticas ao governo federal – o estopinm foi a entrevista à revista “Piauí”, onde o ex-ministro terceu coment[ários críticos às ministra Idelí Salvatti ( Relações Institucionais) e Glesi Hoffmann (Casa Civil), o que teria irritado a presidente Dilma Rousseff.
Sem sessão no Plenário e nas comissões, os deputados falaram diretamente de suas bases, e ou de outros estados, onde cumprem compromissos diversos. Eles revelam suas expectativas para com o novo ministro.
JOSÉ GUIMARÃES (PT-CE)
O primeiro vice-líder do PT e do governo na Câmara, José Guimarães (CE), disse – diretamente do Rio de Janeiro onde participa de um encontro do partido – que o governo agiu rápido e comemorou a nomeação do Celso Amorim.
“Pelos serviços que já prestou ao Brasil no governo Lula e pela identidade que tem com o governo Dilma, ele reúne todas as condições para dar continuidade a este grande programa de restruturação das Forças Armas brasileira”, disse o deputado federal cearense.
Na sua opinião Dilma “fez uma escolha acertada” e frisou que Celso Amorim é um profundo conhecedor da política externa brasileira. “Foi ele que formulou a politica externo do País na era Lula. É um homem competente, íntegro e tem diálogo com o Parlamento e com a sociedade”.
FÁBIO SOUTO (DEM-BA)
Direto da Bahia, onde cumpre compromissos com lideranças, o primeiro vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e da Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, e um dos integrantes da ala oposicionista, o deputado federal Fábio Souto (DEM-BA) ressaltou as qualidades do ex-ministro Nelson Jobim.
Para ele “Jobim era um ponto alto deste governo”. E justificou: “Ele é um homem experiente, possuidor de um grande e invejável currículo, com destacada atuação como ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), um homem de muita sinceridade”.
O deputado Fábio Souto acrescentou: “Com certeza, o governo Dilma perdeu um grande ministro”
ROGÉRIO MARINHO (PSDB-RN)
O deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN), que se encontra no Rio Grande do Norte participando de reuniões com movimentos sociais, disse à nossa Reportagem que a saída do ministro Jobim já era ventilada pela imprensa devido aos seus posicionamentos independentes junto ao governo. “O ministro (Jobim) fazia um trabalho de reorganização das Forças Armadas, mas o governo tinha outras prioridades”.
Segundo o parlamentar potigar “a chegada de Celso Amorim é a volta da política do governo Lula, da aproximação com países sem tradição em respeitar os direitos humanos, onde alguns ditadores foram até retirados do poder recentemente por pressão popular”.
Marinho acentuou que “Celso Amorim vem do Itamaraty, tem experiência e credibilidade, mas nossa preocupação é pela forma como ele se comportou quando esteve no Ministério das Relações Exteriores, quando manteve relação estreita com países como Líbia, Egito e Venezuela.”
DOMINGOS DUTRA (PT-MA)
Do interior do Maranhão, onde participa desde ontem de reuniões com lideranças populares, agricultores familiares e entidades dos movimentos sindicais e sociais, o deputado Domingos Dutra, disse no final da tarde de ontem (4) tinha dito nossa Redação que “Quem a presidente Dilma escolher, está bem escolhido”.
Ele reforçou que espera que o novo ministro da Defesa dê agilidade a temas nacionais de interesse da sociedade como a criação da Comissão da Verdade e Memória e o sigilo de documentos do País, e ainda dê uma solução para a titulação dos territórios dos quilombolas em Alcântara (MA) – temas que, segundo o parlamentar maranhense, foram dificultados por Nelson Jobim.
ACM NETO (DEM-BA)
O líder dos Democratas na Câmara, deputado ACM Neto (BA), que também está cumprindo agenda do seu partido fora do Parlamento, comentou a saída de Nelson Jobim do Ministério da Defesa. “Eu acho que o governo perde muito com saída do Jobim, porque ele é uma pessoa com bastante qualificada”.
Ao falar das suas expectativas com relação ao novo ministro da Defesa, o parlamentar baiano foi enfático: “Espero que ele não tenha uma atuação ideológica no Ministério da Defesa, como teve na sua passa pelo Ministério das Relações Exteriores”.
Com entrada em cena de Celso Amorim, o deputado ACM Neto disse que “o governo fica cada vez mais do PT. “O PT está se apoderando do governo. Foi uma troca que tem caráter evidentemente partidário”.
CARLOS BRANDÃO (PSDB-MA)
O presidente da subcomissão permanente de acompanhamento, fiscalização e controle da execução orçamentária e financeira das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), deputado Carlos Brandão, também comentou à Agência Politica Real – diretamente do Maranhão onde visita comunidades e reúne-se com lideranças a recente mudança no Ministério da Defesa.
“Acredito que o Celso Amorim é uma pessoa capacitada para conduzir os trabalhos no Ministério da Defesa. A experiência adquirida como diplomata, além de ter exercido por duas vezes a posição de ministro das Relações Exteriores, o credenciam para a pasta. Foi uma escolha adequada”, acentuou o parlamentar maranhense.
…………..SAIBA MAIS SOBRE CELSO AMORIM
O Novo ministro da defesa, Celso Luiz Nunes Amorim, nasceu na cidade de Santos (SP), em 1942. É um diplomata. Ao longo de sua carreira, ocupou por duas vezes o cargo de ministro das Relações Exteriores do Brasil – de 1993-1995, e de 2003-2010. Influenciado pelo trabalho de Ulysses Guimarães, filiou-se ao PMDB, mas não teve militância partidária. Recentemente, filiou-se ao PT . Em 7 de outurbo de 2009. David Rothkopf, comentarista da revista americana Foreign Policy indicou Amorim como “o melhor chanceler do mundo”
No serviço público, Celso Amorim iniciou-se em 1987, quando ele se tornou secretário para Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência e Tecnologia, desempenhando tal posição até 1989. Foi então selecionado para o cargo de diretor-geral para Assuntos Culturais no Ministério das Relações Exteriores, à época chefiado por Abreu Sodré.
Contudo, Amorim assumiu nova posição em 1990, sendo nomeado diretor-geral para Assuntos Econômicos. Em 1992, assumiu pela primeira vez a chefia de uma missão no exterior, ao tornar-se representante do Brasil no Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT)
Amorim foi convidado por Eduardo Portela, Ministro da Educação e Cultura, em 1979, com o apoio da classe cinematográfica para assumir a Embrafilme. Sugestão do colega diplomata, escritor e cineasta Edgard Telles Ribeiro. Mudou-se para o Rio de Janeiro , sede da empresa. Amorim trabalhara com Ruy Guerra , fazendo edição e continuidade do filme “Os Cafagestes”. Atuara também como assistente de Leon Hirshmann em um dos episódios de “Cinco Vezes Favela”.
(por Gil Maranhão, para Agência Politica Real, com edição de Genésio Jr.)