31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. “Ampliar a participação do turismo no PIB é nosso maior desafio”, afirma Flávio Dino. Novo presidente da Embratur defende um Pacto Federativo pelo Turismo, fala dos planos da sua gestão e do embate político em seu Estado<BR>

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Por admin
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(Brasília-DF, 1º/07/2011) Um Pacto Federativo Pelo Turismo – envolvendo o governo federal, estados e municípios, grandes e micros empresários, trabalhadores da área privada, o trade turístico em si – é o que propõe o novo presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Flávio Dino, do PCdoB.



O pacto servirá tanto ampliar a inserção da atividade turística na economia brasileira – atraindo novos estrangeiros e gerando novos empregos e renda, como para fazer que o País seja bem sucedido nos grandes eventos esportivos internacionais que estão na sua pauta para os próximos quatro anos – à exemplo da Copa do Mundo de 2014, e as Olimpíadas de 2016 -, e consolide uma imagem no exterior de nação moderna, responsável e cumpridora de suas metas.





Ex-deputado federal, Flávio Dino que trocou uma bem sucedida carreira jurídica para se candidatar a vários cargos políticos no seu Maranhão, e diz sempre que é politico, por opção. Seu nome é um dos cotados para Prefeitura de São Luís nas eleições de 2012 (mesmo desconversando sobre o assunto). Dino concedeu a Agência Politica Real a entrevista exclusiva que segue.







Política Real – Presidente, o senhor mencionou em sua posse que vários desafios estão a caminho do Brasil. Mas, qual o desafio maior ?



Flávio Dino – O grande desafio é ampliar a presença do turismo na economia brasileira. Nós já temos uma participação expressiva. As atividades diretas de turismo hoje corresponde a mais de 3% do PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, da riqueza nacional. A indústria do turismo gera, atualmente, mais de 3 milhões de empregos e nós precisamos ampliar tudo isso. No ano passado já tivemos bons números: mais de 5 milhões de turistas estrangeiros visitaram o Brasil, trazendo dinheiro para movimentar a nossa a economia, o que significa que mais de 6 bilhões de dólares ingressaram na economia brasileira, exatamente por essa por essa atividade da Embratur de outros órgãos do governo, de incentivar o turismo. Então, as nossas prioridades são ampliar o número de turistas estrangeiros no Brasil e a participação do turismo no no PIB.







P.R – E quais os primeiros passos para atingir esse objetivo?

Flávio Dino – Temos que olhar o que estamos fazendo, manter as linhas corretas que contam do Plano Aquarela – que é o plano de organização da ação da Embratur, e ao mesmo tempo identificar as grandes oportunidades que nós temos adiante: na semana que vem, o Brasil sediará os Jogos Mundiais Militares; em 2012 teremos a Conferência Rio+20; em 2013 a Copa das Confederações; em 2012 a Copa do Mundo; em 2015 a Copa América e em 2016 as Olimpíadas. Isso significa dizer que a partir da próxima semana teremos grandes eventos esportivos que podem e deve projetar uma imagem positiva do nosso País no cenário nacional.



P.R- O senhor externou uma preocupação com a imagem do Brasil no exterior – de não ser visto apenas como um País de samba, futebol e natureza exuberante, mas também de responsabilidade e compromissos. Como o senhor vai trabalhar essa ideia?



Flávio Dino – Nós precisamos complementar os atributos de identidade do Brasil. Somos visto como um País bonito, de muita diversidade cultural, de povo alegre, hospitaleiro, cordial. Tudo isso é altamente positivo. Mas precisamos mostrar ao mundo, também, que esta Nação, com todas essas qualidades que Deus nos legou, é ao mesmo tempo um País que atravessou uma página da sua história superando a ditadura militar, construiu uma democracia política sólida e estável, e é capaz de propiciar bons serviços públicos aos cidadãos brasileiros e àqueles que nos visitam. É agregar os atributos da responsabilidade, da competência e da honestidade que estão presentes no nosso País.





P.R – O Brasil corre contra o tempo para se preparar e sediar os grandes eventos esportivos internacionais que estão na sua agenda turística. O que a Embratur vai fazer para dar celeridade à essas obras e projetos pautados? Há recursos para tudo isso?



Flávio Dino – É uma conjugação de esforços: do poder público, do governo federal que tem a importante atribuição de liderar esse processo. Nós estamos dimensionando, projetando investimentos na ampliação dos aeroportos, na ordem de R$ 5,5 bilhões nos próximos anos; R$ 4,5 bilhões na construção das arenas esportivas e modernização das existentes; temos hoje uma linha de crédito de R$ 1bilhão, disponível do BNDES, que já está sendo utilizado para construção de novos hotéis e modernização da rede hoteleira existente, e ao lado de tudo isso, temos investimentos feitos pelos estados, municípios e a iniciativa privada. Então é um esforço nacional e o papel da Embratur é estimular que todos os atores desse processo se integrem nessa gigantesca janela de oportunidades que o Brasil terá…



PR – … é o que o senhor chamou de um pacto nacional, tanto para o cumprimento desse calendário de obras, como para o crescimento da atividade turística no País?



Flávio Dino – … isso mesmo. Nós temos que ter uma atuação cooperativa e isso é uma marca da construção dessa politica pública. Ela tem uma dimensão regulatória da ação do Estado, ao mesmo tempo que fixa normas, de induzir, incentivar e realizar diretamente investimentos, mas é um trabalho-desafio tão amplo que a Embratur sabe que não pode desempenhá-lo sozinho. Daí eu realçar a compreensão da necessidade de um grande Pacto Federativo pelo Turismo, que envolva a sociedade, para que possamos após o último evento esportivo internacional, as Olimpíadas, assistir esse grande legado, essa grande herança, sabendo que não foram eventos apenas em si mesmo de alta importância, mas que deixaram resultados duradouros para serem aproveitados pelos brasileiros. Na medida que mais turistas nos visitam, significa mais força para a nossa economia, mais condições de sustentar as politicas sociais e maior geração de emprego e renda. E a participação dos empresários é de suma importância. O trade turístico é vasto, vai de grandes a micros empresas que garantem capilaridade, o enraizamento das atividades turísticas no nosso País. Temos os trabalhadores do turismo, os jornalistas especializados em turismo, enfim, temos que agir de forma cooperativa.



P.R – Presidente, sabe-se que o senador José Sarney tentou intervir a sua participação em qualquer cargo do governo Dilma, devido o embate politico que o senhor trava no seu estado contra o grupo. Como é a convivência com o ministro do Turismo, Pedro Novais?

Flávio Dino – É uma convivência absolutamente tranquila, porque nós temos um ponto que nos une, que é o projeto nacional, que foi liderado pelo ex-presidente Lula e hoje é liderado pela presidenta Dilma. O fato de integramos a base do mesmo governo e de termos relações cordiais construídas ao tempo que juntos éramos deputados na Câmara, são as garantias que teremos um bom trabalho, como foi realçado tanto por mim, como pelo próprio ministro Pedro Novais. As diferenças regionais existem, continuarão, são diferenças regionais políticas, são legítimas num processo democrático e devem ser vistas assim. E se resolverão de acordo com o processo político regional, sem influenciar negativamente o trabalho a ser feito na Embratur.





P.R – O senhor afirmou recente que é um político por opção e tem orgulho dessa escolha. Tem algum projeto político a caminho?



Flávio Dino – O projeto politico permanece, porque não eu não separo a minha atuação como juiz, como advogado, como militante do movimento estudantil, como deputado, como militante do PCdoB, dessa ideia, sobretudo cidadã, de contribuir para que os indicadores sociais do Maranhão melhorem. Esse é o grande desafio que permanece, que é sublinhado, realçado, e que vai se traduzir em movimentos futuros na política maranhense. Agora, nesse momento, o meu foco é a gestão da Embratur, até que os companheiros do Maranhão, juntos, encontremos um novo caminho a ser trilhado, mais seguramente no futuro.



(por Gil Maranhão, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)