31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. “Se tem uma coisa que `a prefeita Luiziane` faz bem, faz bem caro, são as festas”, afirma André Figueiredo. “Eu realmente não tenho a pretensão agora de ser candidato a prefeito de Fortaleza”, confessa o pedetista<BR>

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Brasília-DF, 24/06/2011) O entrevistado desta semana da Agência Política Real, no Especial de Fim de Semana, é o atual presidente do Diretório Estadual do Partido Democrático Trabalhista, PDT, no Ceará, deputado federal André Figueiredo, que com a licença do ministro do trabalho, Carlos Lupi, das atividades partidárias, exerce também a presidência nacional da legenda criada pelo ex-governador do RS e do RJ – neste por duas vezes – Leonel de Moura Brizola. Para ele, que recebeu a reportagem na noite da última terça-feira, 21, oposicionista da administração petista em Fortaleza, a prefeita Luiziane Lins só saber “festas”.



“Se a prioridade é ter festa de réveillon, festa de aniversário da cidade, com cachês elevadíssimos, a nossa prefeita consegue fazer, mas a um custo que além do que normalmente” são cobrados pelos grandes artistas, afirmou. Na visão do parlamentar, a gestão do PT em Fortaleza não tem “pontos fortes”. “Infelizmente ela que foi uma grande parlamentar, no Poder Executivo se perdeu”, bate o pedetista que afirma que a legenda terá candidatura própria no 1º turno de 2012. Segundo ele, alianças com PT, PMDB, PSB e PCdoB estão descartadas. “Mas já fomos sondados por alguns que tem deputados federais, outros que tem deputados estaduais e outros que tem vereadores”, admite. Mas Figueiredo faz mistério absoluto quanto aos nomes das legendas que poderão se coligar ao PDT em Fortaleza. A única coisa que ele solta é que são partidos que dão sustentação aos governos Dilma e Cid Gomes. Na entrevista, o parlamentar condiciona o fim das oligarquias com a aprovação de novas regras na legislação eleitoral. Para ele, a aprovação da reforma política aliada ao crescimento econômico podem juntas combalir as tradicionais oligarquias da região, que para ele, não se enfraqueceram, apenas “camuflaram” nos últimos anos. Sobre educação, André disse que caso o PDT vença em Fortaleza – fato que nunca aconteceu – não será possível num único mandato, quatro anos, tornar todas as escolas municipais da cidade em escolas de tempo integral. Para ele, os limites orçamentários impedem a concretização numa única gestão. “Nós temos que começar. Não vou dizer que em quatro anos, a gente consiga transformar todas as escolas”, pontua. Segundo ele, o PDT de Fortaleza pode lançar para prefeitura, inclusive hoje quem não pertence à sigla partidária. Mas os nomes da ex-senadora Patricia Saboia, atual deputada estadual, assim como os colegas da Assembleia Legislativa, Heitor Férrer e Ferreira Aragão, são lembrados pelo dirigente trabalhista como prováveis candidatos a capital cearense. A íntegra da entrevista segue abaixo. Boa leitura.









Política Real: Deputado André Figueiredo, o Sr. já está no 2º mandato, mas como titular é o primeiro, não é?



André Figueiredo: Na verdade, eu era suplente na eleição de 2002. Fui secretário de Esportes do meu Estado. Em 2005, assumi em 2005 e 2006, uma vez que o titular foi eleito prefeito. Em 2006, mesmo eu tendo três vezes mais votos que 2002, com 70.293 mil, por conta da verticalização, a gente não conseguiu voltar – mesmo tendo mais votos que oito – lá no Ceará. Mas nesse período fiquei na secretaria-executiva do Ministério do Trabalho e agora tive uma votação – mais uma vez significativa – 115.487 votos e fez com que nós voltássemos aqui para a Câmara.









Política Real: então é o primeiro mandato como titular?



André Figueiredo: Na verdade, eu fui por dois anos como titular. Porque eu não tinha sido eleito – mas de qualquer maneira – eu tinha a titularidade.









Política Real: As eleições municipais de outubro de 2012 estão se aproximando e o nome do Sr. é sempre aventado como possível candidato a prefeito da capital cearense. Como está o seu namoro com a prefeitura de Fortaleza?



André Figueiredo: Ser prefeito de Fortaleza – uma capital que é abençoada pela natureza – e muito mal tratada pelos nossos últimos gestores, sem dúvida nenhuma seria motivo de honra para qualquer cidadão que realmente queira bem o município de onde nasceu. Mas confesso, que não é está no meu objetivo imediato, uma vez que estou na presidência estadual do partido no Ceará e interinamente na presidência nacional, a gente está tendo a missão de tentar construir candidaturas que sejam viáveis e que possam fazer do PDT – digamos assim – uma grande opção em 2012. Essa é a nossa ideia, essa é a nossa meta. E a candidatura que for viabilizada em Fortaleza, terá que ter esses pré-requisitos. Nós temos convicção de que podemos apresentar uma candidatura muito viável e que tenha um projeto administrativo para Fortaleza que seja revolucionário – até por conta que nós precisamos de não ter tempo a perder – a partir de 1º de janeiro de 2013. Fortaleza está muito mal tratada, conforme eu já disse, nós precisamos fazê-la avançar.









Politica Real: E como está sua relação e a relação do PDT com a prefeita Luiziane Lins?



André Figueiredo: Nós somos (da) oposição. Somos oposição desde 2008, onde lançamos a então senadora Patrícia Saboia a prefeitura de Fortaleza, e atual prefeita Luiziane foi reconduzida, estamos na oposição e nós não temos – digamos assim – uma relação política de estarmos do mesmo lado – em relação à gestão local. Lógico que como ela faz parte do PT e o PDT também faz parte da base de apoio do governador Cid Gomes e da presidenta Dilma, nós temos uma relação cordial com o PT. Temos, mas não na administração municipal.









Política Real: com relação ao pleito de 2012, há alguma chance do PDT se unir ao PT na eleição municipal em Fortaleza?



André Figueiredo: Num eventual 1º turno, nenhuma hipótese. Nenhuma hipótese estaria sendo colocada para que nós pudéssemos apoiar em um 1º turno a candidatura do PT. O PDT vai ter candidatura própria a prefeitura de Fortaleza.









Política Real: E se não for seu nome? O PDT tem outros nomes?



André Figueiredo: Temos. Temos o deputado estadual Heitor Férrer, temos o deputado estadual Ferreira Aragão, temos a própria deputada estadual Patrícia Saboia. Enfim, nós temos grandes nomes e outros que estamos em nível de discussão com o partido e que podem se filiar e quem sabe serem opções para o nosso município em 2012.









Política Real: O PDT, fundado por Brizola – gaúcho – que se desenvolveu politicamente após o golpe de 64 no Rio de Janeiro, onde foi eleito duas vezes governador, nunca teve uma grande penetração no Nordeste, como no Sul e Sudeste. Após a a morte de Brizola em 2004, como está sendo esse renascimento do PDT no Nordeste, onde sempre foi uma região em que ele não era muito forte?



André Figueiredo: Deixa eu falar uma coisa. No Ceará, o PDT sempre foi forte. Em 1989, nós ganhamos a eleição em Fortaleza na campanha do Brizola e ficamos em 2º lugar no Ceará.









Política Real: Mas isso se deu muito pelo envolvimento do Brizola com a militância de esquerda – anterior ao golpe de 64 – na campanha da legalidade.



André Figueiredo: Mas eu pergunto: se a rede da legalidade não chegou no Ceará. Na verdade, o Brizola sempre teve esse linque muito forte. Lógico com alguns companheiros no Ceará, mas ele conseguiu no Ceará especificamente ter uma grande referência. O Ceará teve uma situação melhor. Inclusive em Pernambuco, onde ele tinha o então candidato a vice-presidente, Fernando Lira, e nós tivemos uma participação extremamente gratificante. Ganhamos em Fortaleza e ficamos em 2ºlugar no Estado do Ceará como um todo, ganhando inclusive do candidato do então governador Tasso Jeiressati que era o Mário Covas.









Política Real: Mas no nordeste quem está dominando a cena política é o PSB e o PT. O PDT não possui nenhum governo de Estado e também nenhuma prefeitura de capital.



André Figueiredo: As eleições do ano passado para o PDT, em termos de candidaturas majoritárias, não foram tão significativas. Nós temos o vice-governador de Pernambuco. Lançamos candidatura no Rio Grande do Norte, em Alagoas – onde o ex-governador Ronaldo Lessa chegou ao 2º turno – lançamos candidatura no Maranhão, com o ex-governador Jakson Lago, e elegemos um bom número de deputados federais. São quatro na Bahia, dois em Pernambuco, um na Paraíba, um no Ceará, enfim, nós fizemos uma boa bancada de parlamentares nordestinos aqui na Câmara Federal, além de um senador que é o senador João Durval (BA). Nós temos hoje no PDT no Nordeste, dentro lógico de um processo de reestruturação, nós vamos nos reunir no mês de julho com todos os diretórios estaduais para fazer um levantamento minucioso e queremos fazer em 2012, ano do 12, em todos os Estados do Brasil. Aonde pudermos crescer, fazer uma avaliação realmente tática onde nós possamos dar os tiros e onde nós temos que compor com as demais forças de sustentação do governo Dilma.









Política Real: O PDT, alguma vez, governou Fortaleza? Não, não é?



André Figueiredo: Não. O PDT nunca administrou Fortaleza.









Política Real: Então como está sendo o planejamento para conseguir desta vez? Por que bateu na trave na última vez com a ex-senadora Patricia Saboia.



André Figueiredo: Não, não só com ela. Em 1988, o nosso então candidato Edson Silva, que hoje é deputado federal pelo PSB, perdeu por cinco mil votos para o Ciro Gomes. Então, o PDT sempre teve uma predileção de ter uma votação expressiva em Fortaleza. Então, nós estamos aí trabalhando justamente por isso. Temos que montar uma infraestrutura que seja adequada, sob pena de termos uma candidatura por ter e esse não é nosso intuito. Nós queremos uma candidatura que seja capaz de compor com outras forças, seja uma candidatura que em vencendo a eleição, possa administrar Fortaleza – da maneira que nós precisamos administrar – nós não podemos de maneira nenhuma, colocarmos uma candidatura que vacile.









Política Real: Quais são os pontos fortes e fracos dos quase oito anos da prefeita Luiziane do PT a frente de Fortaleza?



André Figueiredo: Eu posso dizer que eu não considero, não consigo identificar pontos fortes. Não é querendo ser – digamos assim – eu não consigo ver. Infelizmente a prefeita Luiziane, quando ela ganhou a eleição em 2004, ela ganhou como uma guerreira, contra tudo e contra todos, tinha tudo para fazer uma grande administração, até porque tinha o apoio do governador – inclusive no primeiro mandato – tinha o apoio do governador Cid Gomes, do presidente Lula e de todos que queriam – enfim nós fizemos parte do grupo que a apoiou no 2º turno em 2004 – mas infelizmente ela que foi uma grande parlamentar, no Poder Executivo se perdeu. Não cumpre prazos. Não tem um projeto de planejamento da nossa cidade. Não existe um Plano Diretor para Fortaleza. Há oito anos que não se abre uma rua na cidade. O que nós estamos vendo agora são algumas avenidas sendo alargadas – mesmo assim com o prazo de execução extremamente dificultoso para o já combalido trânsito de Fortaleza – certo, mas são todos oriundos do projeto que era chamado Distranfor, que era o projeto do ex-prefeito Juraci Magalhães, então o que se está vendo hoje, é herança do penúltimo governo do prefeito que a antecedeu. Então eu vejo que a prefeita Luiziane pecou muito e prazos – como já disse – não são cumpridos. O Hospital da Mulher que era para ser entregue a primeira parte em 2008, está com previsão para 2012. O estádio Presidente Vargas, que era na substituição do Castelão, seria a porta de escape dos times de futebol cearense. Três anos e três meses (de obras) e não teve um aumento de capacidade de absolutamente nada. Isso para dar dois exemplos que tiveram e estão tendo visibilidade na mídia. Outras situações como obras mal feitas, como obras até certo ponto, como posso dizer, até hilárias, por conta de se fazer um jardim japonês – que também demorou mais de dois anos para ser concluída na avenida Beira Mar – para uma colônia japonesa de 300 pessoas num município de 2,5 milhões de habitantes, no principal cartão postal, não deixa de ser inusitado para não dizer outra coisa. Então o governo de Fortaleza, para dizer outra coisa, se tem uma coisa que ela faz bem, faz bem caro, são as festas. Aí sim. Se a prioridade de Fortaleza é ter festa de réveillon, festa de aniversário da cidade, com cachês elevadíssimos que inclusive o TCM (Tribunal de Contas do Município) ultimamente vem condenando os gestores no turismo da nossa capital, que terão que devolver esses recursos públicos, festa a nossa prefeita consegue fazer – trazendo grandes artistas – mas a um custo que é bem além do que normalmente eles cobram.









Política Real: Mas hoje, numa escala de zero a dez, o PDT está mais próximo ou mais longe de conquistar o Palácio do Bispo?



André Figueiredo: É uma incógnita. Nós sabemos que é uma eleição muito difícil, mas nós temos expectativas. De zero a dez, eu colocaria cinco.









Política Real: E em termos de coligação, com quem o PDT está trabalhando?



André Figueiredo: Nós estamos aí trabalhando com as forças que dão apoio a presidenta Dilma e que não estão satisfeitas com os rumos da prefeita Luiziane. Então, todos os partidos que estão nesse arco de apoio, estamos conversando e que existe esta possibilidade de alguns partidos virem conosco.









Política Real: O PMDB?



André Figueiredo: Não. Com o PMDB nós ainda não tivemos nenhum contato diretamente. O senador Eunício de Oliveira – ele não se manifestou – e não colocaria o PMDB nesta possibilidade.









Política Real: E o PSB do governador?



André Figueiredo: Também não. Acho que no 1º turno, o PSB ou lança candidatura própria ou sendo a candidatura do PT, uma candidatura que seja do agrado do governador Cid Gomes, ele apoia o PT. Ou numa terceira hipótese, como vão se lançar múltiplos candidatos da base do governador, eu creio que além do PDT e do PT, o PCdoB deve lançar o senador Inácio Arruda, então, além destes três, com outros partidos lançarem, o PSB ou o governador pelo menos, possa optar pela neutralidade.









Política Real: Não há chances no 1º turno uma aliança entre o PDT e o PCdoB?



André Figueiredo: não, porque o senador Inácio Arruda – até por conta de que ele será candidato em 2014 e tem que definir qual o mandato que ele vai disputar – eu creio que ele precisa de ter visibilidade eleitoral.









Política Real: Então o PDT se articula com os partidos menores da base tanto do governo Dilmo como do governo Cid?



André Figueiredo: Sim, sim. São partidos que tem deputados, que tem tradição.









Política Real: Mas de concreto o PDT já negociou com quem?



André Figueiredo: Com nenhum. Mas já fomos sondados por alguns que tem deputados federais, inclusive, outros que tem deputados estaduais e outros que tem vereadores. Mas como não definimos qual o nome que o partido irá lançar, talvez isso seja uma condicionante para que alguns venham ou não.









Política Real: O Ceará e o Nordeste sempre foram acusados de se ter uma forte oligarquia. E essas oligarquias vêm perdendo espaço, dentro da representatividade, pelo menos do governo Lula para cá. Esse crescimento da esquerda na região, foi efeito apenas da administração do governo Lula ou veio para ficar?



André Figueiredo: Eu confesso que eu tenho dificuldade em identificar o que é esquerda e direita no cenário político nacional, principalmente no Nordeste. Eu não consigo admitir que a família Sarney (risos) seja considerada uma família avançada e ela teve o apoio do ex-presidente Lula. Enfim, eu confesso que eu não (vejo isso). Fico numa posição de diagnóstico difícil. Agora, existem gestões avançadas. Eu considero a gestão do governador Cid Gomes uma gestão extremamente avançada em termos conceituais, em termos de crescimento, de geração de emprego e renda, a própria gestão do governador Eduardo Campos da mesma maneira. Então existem gestões que são avançadas. Outras nem tanto. Considero que estas duas, que eu elenquei, eu poderia conceituar. Por coincidência, são ambas do PSB. O governador Jakson Wagner, outro bom governador – muito bom – na Bahia. Por fim, eu acho que existe um espaço muito grande para o Nordeste crescer. Até por conta das políticas que estão sendo colocadas em prática, elas estão levando a nordestinos que moravam no Sul e Sudeste, a voltarem para sua terra. Então, eles já vem com acúmulo também – digamos assim de conhecimento político – que podem diferenciar e podem ser também formadores de opinião.









Política Real: Pela sua opinião as oligarquias da região não perderam forças, apenas se camuflaram. Partindo desta visão qual a receita para acabar com o sistema oligárquico?



André Figueiredo: Vejo que à oligarquia é algo que não existe somente no Nordeste. Se nós analisarmos bem, nós temos aí algumas oligarquias que estão se formando em Estados do Sul, em Estados do Centro-Oeste, que precisam ser também melhores tratadas. Mas eu vejo que a saída que está sendo dada – principalmente nos últimos oito anos de governo do presidente Lula – e nesses próximos quatro da presidenta Dilma, a tendência natural é que nós possamos, até mesmo com a reforma política que nós precisamos aprovar aqui no Congresso Nacional, acabar com esses feudos que existem especialmente nos colégios eleitorais dos interiores dos Estados, uma vez que é gritante a troca de favores que existem entre àqueles que querem ser eleitos e os eleitores. Isso tudo perpetua a miséria. Então, nisso tem que se dar um basta porque daqui a pouco, o cidadão de bem não vai conseguir mais ser candidato.









Política Real: Voltando às eleições, o PDT tem como ponto primordial a educação, sobretudo em promover a escola de tempo integral. Vencendo a eleição municipal e ganhando a prefeitura de Fortaleza, o seu partido se compromete em tornar as escolas municipais em tempo integral?



André Figueiredo: Bem, nós temos que começar a trabalhar nesse sentido. Nós temos que começar. Não vou dizer que em quatro anos, a gente consiga transformar todas as escolas, em educação em tempo integral. Até porque se formos analisar, na própria proposta do (novo) Plano Nacional de Educação (PNE), a meta do Brasil é que nos próximos dez anos é de ter 50% das escolas brasileiras em tempo integral.









Política Real: Em regime integral, não de tempo integral.



André Figueiredo: Não escola integral. O que eu estou colocando, é a dificuldade que nós temos orçamentária. Mas precisa se iniciar. Não se pode fazer uma, duas ou três. Eu creio que nós temos um número muito bem factível, caso nós nos elegemos e termos uma prioridade.









Política Real: Mas o Brizola fez no Rio de Janeiro um plano para ter a maioria das crianças alcançadas na escola de tempo integral. Não é possível repetir essa ousadia?



André Figueiredo: O Brizola era governador. Fez 513 CIEPS. Era governador do Estado do Rio de Janeiro que tem muito mais dinheiro que o município de Fortaleza. E ele tinha um Darcy Ribeiro, que era um abençoado por Deus, com um projeto educacional absolutamente maravilhoso. Pena que aquele projeto não ter virado uma política de Estado. Foi apenas uma política de governo. O Moreira Franco quando lhe sucedeu, dilapidou com a política e fez com que aqueles jovens – que eram crianças naquela época – não puderam ter outra opção que poderia dar um adeus ao mundo das drogas.









Política Real: Então por falta de recursos não daria para repetir àquela ousadia e tornar todas as escolas municipais em tempo integral?



André Figueiredo: Eu acho que daria para continuar. Pelo menos se tivéssemos ainda (todos) aqueles CIEPS funcionando normalmente, já melhoraria bastante. Hoje, os que são chefes da droga ou que inclusive já morreram por conta disso, eram crianças na época e talvez tivessem tido uma melhor sorte se o projeto dos CIEPS tivesse dado continuidade.









Política Real: Para encerrar, o Sr. afirmou que ainda o PDT não definiu que nome lançará para concorrer a prefeitura de Fortaleza em 2012. Assim sendo, numa escala de zero a dez, qual é a chance para você ser o candidato do partido?



André Figueiredo: Dois. As chances de eu sair candidato são mínimas. Mínimas, mínimas. Eu entraria numa candidatura dessa apenas – digamos assim – se existisse uma conjugação de forças que eu não acredito que deverá acontecer nesse pleito de 2012. eu realmente não tenho a pretensão agora de ser candidato a prefeito de Fortaleza.









(Por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)