ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Nordeste mostra a cara (e riqueza) da sua cultura popular. Região tem o mais autêntico “São João” brasileiro, que chega a auge neste final de junho em vários tons<BR>
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Brasília-DF, 24/06/2011) Em uma ponta da região, Campina Grande-Paraiba, brinca-se “o maior São João do mundo”; na outra ponta, em São Luís do Maranhão, cercada de arraiais por todos os lados, a riqueza “do mais autêntico São João do mundo”; no meio, em Caruaru-Pernambuco, a sanfona dá o tom do “melhor São João do mundo”.
É assim o Nordeste, nesta época do ano: para qualquer lado que o turista se deslocar na região, neste mês de junho, vai deparar-se com a uma das belas festas da cultura popular brasileira.
Os Festejos Juninos – ou “São João” popularizado no País – está para alguns estados do Nordeste, como o Maranhão, como o carnaval está para o Rio de Janeiro.
DA CAPITAL PRO INTERIOR – Das nove capitais nordestinas, em apenas uma a festa é mais forte e contagiante: São Luís – considerada a “capital do bumba-meu-boi”, e onde se exibe danças como Cacuriá, Portuguesa, Caroço e Côco.
Nos demais estados da região – Ceará, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte e mesmo na Bahia (onde o carnaval é o seu maior produto turístico), o “São João” acontece pra valer no interior.
Em muitas cidades do interior, a festa começa às véspera do primeiro ‘santo junino’ : Santo Antonio, festejado dia 13 de junho. Em outras, às vésperas de São João (comemorado dia 24). E tem ainda municípios que deixa tudo pro final do mês, às vésperas de São Pedro (festejado no dia 29). No Maranhão, outro santo é destaque no ‘calendário junino’: São Marçal – festejados pelos boieiros (brincantes de bumba-meu-boi) no dia 30. Em uma data ou em outra, tem fogueira, novena, procissão… e muito forró.
Cada estado vende o seu peixe. Ou seja, faz a propaganda dos Festejos Juninos ao seu estilo, de suas brincadeiras e danças regionais, comidas e bebidas típicas, com vistas a atrair o maior número de turistas, principalmente de outros países.
O MAIOR E O MELHOR – Foi assim, através de um marketing agressivo, por exemplo, que o estado da Paraíba consegui colocar Campina Grande no mapa e calendário turístico mundial, ao internacionalizar a sua festa junina e transformar a Praça do Povo no grande palco do “maior São João do mundo”.
Este ano, só do ministério do Turismo, o governo da Paraíba recebeu recebeu R$ 1, 8 milhões para investir na festa, onde o forte são grandes shows artísticos e quadrilha junina.
Caruaru, no sertão de Pernambuco, para não ficar para trás, disputa com a co-irmã, cada turista (ou cada dólar) neste período de junho. E preferiu não ser “o maior”, mas taxa-se como “o melhor” festejo junino do mundo, pela variedade de atrações e opções que a cidade oferece – além da festa em si, o tradicional forró pé-de-serra, a base da sanfona, triângulo e zabumba, a tradicional Feira de Caruaru com seu rico artesanato, dentre outros atrativos.
Detentora de uma rica e diversificada cultura popular, que tem o bumba-meu-boi como carro-chefe, mas com investimentos ainda pequenos na divulgação de suas manifestações culturais, São Luís do Maranhão é outro destino bastante disputado no ‘calendário junino’ do Brasil.
ILHA DO BOI – A Ilha do Amor ou Ilha Rebelde – que durante o ano se curva ao reggae (por isso é também conhecida como “Jamaica Brasileira”) dá um tempo nas ‘pedras de responsa’ em coloca em cena os pandeirões, matracas, zabumbas e maracás e uma infinidade de danças regionais nos diversos arraiais espalhados pela cidade – com destaque para o da Praça Maria Aragão, o do Ceprama e a Vila Junina (armado pela TV Mirante na área livre de um shopping).
O boi se apresenta, no Maranhão, em diversos sotaques (estilos diferentes em ritmos, indumentária e dança). São mais de 300 grupos, em todo o estado. Os que mais encantam os turistas pela sua musicalidade e belo “cordão de índias” são os bois de Orquestra. Mas são os grupos de bumba-meu-boi do do sotaque de Matraca, também conhecidos por “sotaque da ilha” ou “batalhões pesados” (com mais de 500 pessoas no cordão), a grande sensação dos maranhenses nativos da ilha.
Tem ainda os bois de Zabumba – o mais original e tradicional de todos, nascido na região da Baixada Maranhense. É dessa região que vem, também, o tradicional boi sotaque ‘Costa de Mão’ (onde o brincante toca um pequeno tambor com a costa da mão). Completam a festança junina a Dança do Cacuriá, com uma ginga sensual; a Dança Portuguesa – garbosas e até com luxo; as Quadrilhas, com seus casamentos carregados de humor e malícia; a Dança do Boiadeiro e os shows com artistas da MPM – Música Popular Maranhense.
(por Gil Maranhão, especial para Agência Politica Real, com edição de Genésio Jr.)