ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Fátima Bezerra destaca investimentos dos governos Lula e Dilma na educação. Para parlamentar potiguar, Pronatec será uma grande conquista na educação brasileira, mas mudança no grau de oligarquização da politica estadual, só com
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Brasília-DF, 03/06/2011) A entrevistada desta semana pela Agência Política Real para uma especial de fim de semana, a deputada Fátima Bezerra (RN), presidenta da Comissão de Educação da Câmara e 2ª vice-presidenta do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, falou a reportagem um pouco sobre sua história, de menina pobre – no interior da Paraíba – que mudou para Natal, onde foi morar na casa dos tios, no final da década de 60 para continuar os estudos, além do então denominado ensino primário. Foi na capital potiguar, que realmente a hoje deputada – militante da educação – começou a entender a vida, a perceber as nuances que por séculos separam ricos e pobres nas casas grandes e senzalas, nos sobrados e mucambos e hoje nos condomínios e periferias. “Você me perguntando sobre a ditadura, vejo agora, que nos era proibido o acesso a Paulo Freire – maior educador brasileiro – e, inclusive, a sua discussão nas salas de aulas”, lembra.
“Peguei o final da ditadura, àquela fase (da política) de transição do lento, gradual e seguro”, rememora para dizer e constatar que o período governado por Ernesto Geisel e João Figueiredo não foi assim tão de transição. “Você tem razão, não se podia discutir filosofia”, como se dizendo que as coisas eram amarradas. Mas, independente se o Brasil vivia sob um regime ditatorial, a educação era de qualidade, que com o tempo – sobretudo nas décadas de 80 e 90, concorda – foi se perdendo. Questionada pela reportagem porque, Fátima sentencia: “A escola (pública) àquela época era para poucos, ao contrário de hoje”. Os desastres que se abateram no País nas duas décadas, não à toa de chamadas de décadas perdidas – não só na economia – abateu sobre o País uma necessidade de recuperação plena. “Que aconteceu no governo Lula”, defende. Para ela, as ações tomadas pela presidenta Dilma Roussef, na educação e na área social, são continuações e avanços que só poderiam ser feitas graças a intromissão do governo do presidente Lula. Com números e mais números que mostram o quanto o governo do PT avançou, Fátima Bezerra levanta a tese que agora é a hora de alcançar e conquistar mais.
PRONATEC – “O Pronatec (Programa Nacional do Ensino Técnico e do Emprego), que começará o debate agora, é fantástico, prevê a construção de mais 120 IFETS (Instituto Federal das Escolas Técnicas e Superior) no País”, ufana a deputada. “Só no Nordeste é mais de um terço, são 42 novos IFETS que serão construídos”, comemora. “Qual pai ou qual mãe não se orgulha de ver se seu filho cursando um IFET”, pergunta. O programa citado pela parlamentar será instituído pelo governo federal após a aprovação do Congresso Nacional ao PL (Projeto de Lei) 1209/11. Fátima associa ainda a criação do Pronatec ao programa Brasil sem miséria lançado pela presidenta Dilma na última quinta, 02, para erradicar de vez a pobreza extrema do País. “O Pronatec é uma ferramenta importantíssima do Brasil sem miséria”, salienta.
OLIGARQUIA – Ao abordar a transformação da sociedade pela educação, a petista considerou que ela (a educação), infelizmente, não será capaz de transformar um Estado como o Rio Grande do Norte – segundo ela – o mais oligarquizado da região Nordeste, para um Estado plural suficientemente representado por uma gama de vetores diferentes da sociedade. “Na bancada federal potiguar, eu sou a única parlamentar que não pertence a nenhuma família tradicional que comanda a política (local)”, enfatizou. Para ela, só a realização de uma reforma política será capaz disso. A principal mudança na legislação eleitoral, defendida por Fátima Bezerra, é a inclusão do financiamento público exclusivo de campanha. Mas a lista fechada, quase consenso no PT, e muito criticada por outros partidos, não é comungada pela deputada potiguar. “Não há no País nenhum partido, inclusive o meu – o PT – preparado para que seja adotado o sistema de lista fechada”, opinou. Para ela, caso a lista fechada seja aprovada, haverá a perpetuação de cúpulas partidárias na política brasileira. A alternativa para a deputada, é a adoção da lista fechada mista, quando o eleitor vota duas vezes para os cargos nos legislativos. A primeira escolhendo o partido ou a coligação e em seguida na escolha do nome do candidato. Assim, se determinado candidato estiver na oitava posição da lista do partido ou da coligação, o eleitor poderá colocá-lo como o primeiro da lista. Para os críticos a esta mudança, estas alterações complicariam por demais o sistema de votação. Mas para Fátima Bezerra, o brasileiro já está acostumado com muitas votações.
INTEGRAL – Ao abordar a questão da educação novamente, a petista Bezerra que considera sim que – embora tenham se aumentado os recursos da educação – “sobretudo no governo Lula, onde as verbas soltaram de R$ 19 bilhões para mais de R$ 70 bilhões, ainda é pouco”, lamenta, ao mesmo tempo que se contenta. A parlamentar entende que o Brasil está num processo gradual de ampliação dos investimentos em educação. Para ela, o que é pouco hoje pode ser considerado muito que era pleiteado alguns anos atrás. “Estamos num processo de amplo crescimento dos investimentos em educação”, pontuou. Mas o sonho da concretização, de muitos educadores, de tornar a escola pública e gratuita em tempo integral não é corroborada pela presidenta da Comissão de Educação da Câmara. “Isso é um sonho, uma meta, mas não temos como objetivo de transformar a escola em tempo integral, isso demandaria muito (dinheiro), nosso objetivo é alcançar o ensino em tempo integral, onde os alunos (mesmo fora da escola) estarão em atividades escolares”, defende. “Uma espécie de atividades extra-classes”, conclui na defesa da tese.
(Por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)