31 de julho de 2025

Nordeste e Poder. Denúncia contra Palocci não motivou reação nordestina mesmo com insatisfações na base de apoio. Tucano reclamou da atenção com o Nordeste, mas não foi rebatido

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Por Genésio Araújo Jr, coordenador editor

( Brasília-DF,20/05/2011) A semana foi marcada pela denúncia do jornal “Folha de S.Paulo” de que o ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, teria elevado seu patrimônio em 20 vezes de 2006 até o final do ano passado. Pior, que ele teria auferido ganhos durante o período em que foi um dos coordenadores da campanha da então candidata Dilma Rousseff.



A denúncia é preocupante, pois se especula que o mais importante ministro da Presidente Dilma possa exagerado pela condição privilegiada que ocupou. É mundialmente conhecido que os principais ministros de governos democráticos ,importantes, tenham ganhos acima da média face às posições que ocuparam. No Brasil ,não poderia ser diferente. Esse tipo de gente tem informações e relações que valem muito para muita gente. Num capitalismo como o brasileiro, onde 60 % do PIB, estima-se, seja fomentado ou tocado ,diretamente, pelo poder público relações denunciadas, como esta, merecem explicações. O ministro até que está, dentro de seu estilo, em acordo com o Governo, tentando explicar.



Quem conhece a disputa política sabe que esse tipo de coisa tem suas doses. Avanços e freios. O estrago na opinião pública já foi feito e teremos próximos capítulos, mas o que chama atenção aqui é o movimento dos nordestinos.



A elite política nordestina anda irritada com a postura do Governo Federal com referência a postura sobre o Nordeste. Os políticos querem ter a tranqüilidade mínima de saberem com quem estão falando. Eles querem solução para os cargos públicos de ponta voltados para o Nordeste. A academia ainda não sabe o que a Presidenta tem em mente sobre desenvolvimento regional. Os movimentos sociais também ainda não sabem para onde vão os programas voltados para o Nordeste na perspectiva da nova administração.



Na votação do requerimento da Oposição para convocar Palocci a dar explicações no plenário da Câmara Federal, onde ele foi deputado, poucos foram os nordestinos que votaram por sua vinda.



Na quinta-feira, à tarde, o deputado Raimundo Matos(PSDB-CE), um dos poucos tucanos nordestinos que sobraram das eleições do ano passado, reclamou duramente da forma como o Governo Dilma Rousseff trata o Nordeste. Ele destacou vários pontos, como a forma discriminatória contra alguns estados, a falta de clareza sobre aplicação do Plano de Desenvolvimento Regional, o Plano de Desenvolvimento Produtivo, a “Política Industrial” para o Nordeste entre outros pontos. Ninguém do Governo e do Nordeste veio em defesa das ações do Planalto e da Esplanada. É verdade que foi uma quinta de poucos congressistas em plenário, seja na Câmara ou no Senado, porém nos dias em que vivemos, de relevante rede de informações, não dá para alegar desconhecimento. Os políticos só fazem ouvidos moucos quando assim lhes interessam.



A verdade é que os políticos nordestinos não se vingaram do Governo Dilma em Palocci não só pela falta de coragem que existe em muitos, porém face à convicação que têm no Ministro de um aliado importante.



O enfraquecimento do ministro das Relações Institucionais é flagrante, o fluminense Luiz Sérgio, ex-deputado, já era nome descartado entre os deputados e senadores da região por, em tese, comandar as discussões do veto do pré-sal.



Para os nordestinos preocupados, e governistas, é melhor com Palocci do que sem Palocci.