31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Negócio de família: Nordeste é região em que mais parentes de políticos foram eleitos deputados. Um em cada quatro deputados federais eleitos tem laço familiar com algum expoente da política

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Por admin
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(Brasília-DF, 12/10/2010) Um em cada quatro deputados federais eleitos pelos estados do Nordeste nas eleições de 2010 é parente de algum político. O Nordeste é, entre as regiões do país, a que tem maior percentual de familiares de políticos eleitos para sua bancada, 25%.



Cruzamentos feitos pela Política Real com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que nas regiões cujo PIB (Produto Interno Bruto) têm menor participação no PIB nacional, os eleitores votam mais em parentes de políticos.



É assim no Nordeste, cujo PIB representou 13,1% do PIB nacional em 2007. No Norte, em que 17% dos deputados federais têm parentesco político, o PIB foi 5% do nacional. Já no Centro-Oeste, cujo PIB representou 8,9% do total, 12% dos deputados federais eleitos são familiares de políticos.

Já no Sul e no Sudeste, cujo PIB representam 16,6% e 56,4% das riquezas nacionais, respectivamente, o grau de parentesco das bancadas regionais são de 11% e 9%.



No Nordeste, o estado cuja bancada tem mais parentesco político é o Rio Grande do Norte, em que cinco dos oito deputados (62,5%) para os próximos quatro anos têm alguma ligação com políticos. A bancada potiguar foi também a que teve menor renovação nas eleições deste anos, de somente um deputado, o que representa 12,5%.

De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), Fábio Faria (PMN-RN) é filho do deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte, Robinson Faria. Já Filipe Maia (DEM-RN) é filho do senador reeleito Agripino Maia (DEM).



Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), candidato à presidente da Câmara no próximo mandato, é filho do ex-governador Aloísio Alves e primo do senador reeleito Garibaldi Alves (PMDB-RN). João Maia (PR-RN) é irmão de Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado e eleito deputado distrital pelo DF. Sandra Rosado (PSB-RN) é esposa do ex-deputado federal Laíre Rosado. Todos os deputados citados foram reeleitos.



Em Alagoas, quatro dos nove deputados para a próxima Legislatura (44%) têm laço familiar com políticos. O deputado reeleito Maurício Quintella Lessa (PR-AL) é primo do ex- governador e candidato derrotado ao governo do Estado, Ronaldo Lessa (PDT).



Dos seguintes, todos terão seu primeiro mandato na Câmara. Arthur Lira (PP-AL) é filho do deputado federal Benedito de Lira (PP), que vai deixar a Câmara ano que vem, pois foi eleito ao senador. A família do deputado eleito João Lyra (PTB-AL) tem tradição política em Alagoas, e ele é irmão da vice-prefeita de Maceió, Lourdinha Lyra.





Já Renan Filho (PMDB-AL), deputado mais votado, com quase 10%, é filho do senador reeleito Renan Calheiros (PMDB), sobrinho do prefeito de Maceió, Renildo Calheiros, e do deputado federal Olavo Calheiros, que foi eleito deputado estadual.



Na bancada de Sergipe, a que mais sofreu renovação nestas eleições (75%), três dos oitos deputados escolhidos para o próximo mandato (37,5%) têm parentesco familiar. André Moura (PSC-SE) é filho dos ex-deputados Lila Moura e Reinaldo Moura. Fábio Reis (PMDB-SE) é filho do deputado federal Jerônimo Reis (DEM-SE), cuja candidatura foi barrada pela Lei da Ficha Lima. Os dois deputados terão seu primeiro mandato. Reeleito, Valadares Filho (PSB-SE) é filho do senador reeleito Antônio Carlos Valadares (PSB).

Na Paraíba, quatro dos 12 deputados federais eleitos são parentes de políticos. Reeleito, Efraim Filho (DEM-PB) é filho do senador Efraim Morais (DEM), que não conseguiu se reeleger. Hugo Motta (PMDB-SE) é neto do ex-deputado federal Edvaldo Motta e da deputada estadual Francisca Motta (PMDB), reeleita para o sexto mandato, e filho do prefeito de Patos, Nabor Wanderley (PMDB).



Nilda Gondim (PMDB-SE) é filha do ex-governador Pedro Gondim, mãe do deputado federal e senado eleito Vital do Rego Filho (PMDB) e do prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego Segundo Filho. Wilson Filho (PMDB-SE) é filho do deputado Wilson Santiago (PMDB), eleito senador. Os três últimos citados exercerão seu primeiro mandato na Câmara.

Na Bahia, maior bancada estadual do Nordeste, dez dos seus 39 deputados eleitos têm parentesco político. Os casos mais emblemáticos são dos reeleitos Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM) e Paulo Magalhães (DEM), neto e sobrinho do ex-senador ACM, respectivamente.



Reeleito, Fábio Souto (DEM-BA) é filho do ex-governador e candidato derrotado ao governo, Paulo Souto. Lúcio Vieira Lima (PMDB) é irmão do ex-ministro, deputado federal e candidato derrotado ao governo, Geddel Vieira Lima (PMDB).



O atual deputado Félix Mendonça (DEM) não concorreu a nenhum cargo, mas elegeu seu filho Felix Jr. (PDT). O deputado Mário Negromonte (PP) não só se reelegeu, mas elegeu seu filho, Mário Negromonte Júnior (PP), para a Assembléia Legislativa.

Na bancada do Maranhão, o índice de parentesco é de 22%, quatro dos dezoito deputados. Reeleitos, Nice Lobão (DEM) é esposa do senador reeleito Edison Lobão (PMDB) e Sarney Filho (PV) é filho do senador José Sarney (PMDB-AP).



Em Pernambuco, em que quatro dos 25 deputados são parentes de político (16%), a deputada mais votada, Ana Arraes (PSB) é mãe do governador reeleito Eduardo Campos (PSB) e filha do ex-governador Miguel Arraes.

No Ceará, cujo grau de parentesco político é de 13% (3 em 22), o deputado mais votados, Domingos Neto (PSB), é filho do atual presidente da Assembléia Legislativa, Domingos Filho, eleito vice-governador. No Piauí, que elegeu deputada Iracema Portela (PP), esposa do deputado e senador eleito, Ciro Nogueira (PP) é o estado com menor parentesco político.



O deputado federal reeleito Luiz Couto (PT-PB) critica o hábito de colocar políticos colocarem parentes para substituí-los em cargos públicos.

“Que respostas dar, num ambiente em que as eleições proporcionais, contraditoriamente, fortaleceram a política de base familiar, na qual pais e avós, irmãs e irmãos, esposos, tios e primos construíram mandatos como quem transfere uma herança?” questionou em discurso no plenário da Câmara.

(Por Evam Sena, especial para a Política Real, com edição de Genésio Jr )