ESPECIAL PARA O FIM DE SEMANA. PE: Uma eleição que fará história em Pernambuco
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( Recife-PE, 24/09/2010) O cenário eleitoral em Pernambuco parece está consolidado. A disputa que terá fim em nove dias não trará nenhuma grande novidade , além da possível derrota do senador e candidato à reeleição, Marco Maciel (DEM). Com poucas chances de uma virada, o governador/candidato, Eduardo Campos (PSB) deverá retornar ao Palácio do Campo das Princesas, os dois senadores da base governista Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro Neto (PTB) devem chegar a Casa Parlamentar e nacionalmente a presidenciável Dilma Rousseff (PT) sucederá o presidente Lula. Ou seja, haverá uma grande vitória da máquina governista e os partidos, que hoje são oposição, deixam evidentes suas fragilidades.
A reeleição de Eduardo, desde o início da campanha, já era dada como certa. A decisão do também candidato ao Governo, Jarbas Vasconcelos (PMDB) de entrar na disputa era necessária para que a oposição continuasse marcando território, mas sua derrota já era prevista. O que não se imagina à época e que a diferença entre o socialista e o peemedebista fosse ser tão grande, e a vitória de Eduardo sobre Jarbas fosse tão esmagadora quanto apresentam os números revelados nas pesquisas. Hoje o Datafolha veiculou uma nova pesquisa, na qual o governador aparece com 72% das intenções de voto, enquanto Jarbas obteve apenas 15%. Num crescimento progressivo, mesmo com as várias tentativas da oposição de desconstruir a gestão socialista, Eduardo possivelmente será reeleito como o governador mais bem votado de todo país; e Jarbas deve sair de cena e voltar ao Senado, além das crescentes e continuas quedas nas pesquisas, o peemedebista deverá sofrer a maior derrota da história de Pernambuco.
O petista Humberto Costa (PT) também fará história no Estado. Será o primeiro petista a chegar ao Senado em Pernambuco. Numa eleição inicialmente preocupante, uma vez que em 2006 Humberto havia sido denunciado pelo Ministério Público por suposta participação na “máfia dos vampiros”, quando fora ministro da Saúde no Governo Lula. Entretanto, o próprio Ministério Público absolveu o petista e reconheceu sua inocência. Assim Humberto ganhou força e pelo trabalho desenvolvido na Secretária Estadual das Cidades no governo Eduardo, foi reconhecido em todas as regiões de Pernambuco e na própria capital. Liderou as pesquisas desde o início e hoje aparece isolado na liderança da primeira vaga ao Senado com 52% das intenções de voto. Sua eleição será um marco na legenda e em Pernambuco.
A eleição de Armando Monteiro Neto (PTB) para o Senado parecia ser o maior de todos os obstáculos desta campanha. Começou a campanha em terceiro lugar nas intenções de voto, com uma grande dificuldade em dissociar o seu passado latifundiário para integrar-se numa chapa composta por idéias socialistas e trabalhadoras. Inicialmente adotou o discurso da constante preocupação com a geração de empregos e capacitação profissional, evidenciando sempre o seu trabalho à frente Federação das Indústrias de Pernambuco (FIEPE) e da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), alavancando assim percentuais maiores, mas ainda inferiores ao de Maciel. A Frente Popular de Pernambuco e o presidente Lula não pouparam esforços e fizeram questão de trabalhar a imagem do presidente e Eduardo (grandes puxadores de voto) associada a do petebista, e timidamente Armando foi conquistando o eleitorado pernambucano. Desta forma chegou ao segundo lugar nas pesquisas de intenções de voto e hoje aparece com 42%. Se eleito o petebista terá uma eleição também histórica, consagrando-se vitorioso e derrotando uma das maiores referências políticas brasileiras, o democrata Marco Maciel que está na cena política há mais de quarenta anos.
A petista Dilma Rousseff deverá subir a rampa do Palácio do Planalto no dia 01 de janeiro. No início sua candidatura foi criticada pela falta de carisma e antipatia da candidata, teve sua imagem trabalhada como a idealizadora do Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC), o “braço direito” de Lula. Foi assim que Dilma adquiriu força e termina esta eleição com líder nas pesquisas de intenção de voto.
Em Pernambuco a derrota de Jarbas e Maciel representará o fim de um poderio político que esteve durante anos no comando das decisões. Com a derrota e a falta de expressividade revelada pelos candidatos à majoritária nesta eleição perdem força também os partidos oposicionistas. As bancadas dessas legendas deverão diminuir consideravelmente nos parlamentos nacionais e estaduais. Diante de todo este reflexo e de todas essas situações reveladas nesta campanha a única coisa que é possível afirmar é que o poder político tem novos donos e que , sem dúvida, o presidente Lula e Eduardo Campos serão os maiores vitoriosos desta eleição. Sem a força de ambos, talvez o cenário em 2011, assim como esta eleição, não tivesse nenhuma grande novidade.
( por Maria Carmen Chaves, especial para a Política Real, com edição de Genésio Junior )