31 de julho de 2025

Bancada do Nordeste. Presidente do Banco do Nordeste critica atuação do sistema bancário nacional na região. Deputado Júlio César(DEM-PI) reclamou da dependência do Banco ao FNE…

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Por admin
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(Brasília-DF, 16/09/2009) O presidente do Banco do Nordeste, Roberto Smith, afirmou nesta quarta-feira, 16, em café da manhã com a Bancada do Nordeste, que é necessário conhecer melhor a presença dos bancos estatais no Nordeste. A afirmação de Smith foi em concordância com a proposta do deputado Júlio César (DEM-PI) de pedir ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal e ao BNDES os percentuais de aplicação de cada um no Nordeste.



“Nós percebemos que o crédito em relação ao PIB no Brasil avançou na ordem de 22% para em torno de 42% no governo Lula. No entanto, o crédito em relação ao PIB Nordestino ainda é metade dessa magnitude nacional: 20%. O que mostra uma rarefação do sistema bancário financeiro no Nordeste”, declarou Roberto Smith.



Para o presidente do Banco do Nordeste, o fato que 34% das aplicações na região serem da instituição que dirige alerta para a debilidade do sistema bancário financeiro nacional no Nordeste, que para ele, é um dos fatores de desigualdade regional.



“O fortalecimento do sistema financeiro no Nordeste é muito importante. Cada real depositado em uma agência do Banco do Nordeste será necessariamente aplicado dentro do Nordeste. Enquanto que cada real aplicado em qualquer outra instituição financeira evidencia uma perda no fluxo financeira”, criticou Roberto.

FNE – O café da manhã da bancada foi em comemoração aos 20 anos de regulamentação do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), que é gerenciado pelo Banco do Nordeste. Júlio César criticou da dependência do banco aos recursos do Fundo. O percentual das aplicações de crédito com dinheiro do FNE feitas pelo banco aumentou de 67,8% para 75,4% entre dezembro de 2002 e junho de 2009.



“Se continuar nessa tendência de crescimento do Fundo, um dia o Banco do Nordeste vai se resumir ao banco constitucional do Nordeste”, disse o deputado. Segundo Roberto, esse aumento aconteceu porque o banco deixou de operar crédito com recursos do BNDES e do Fundo de Ampara ao Trabalhador (FAT), “o que estabelecia muita dificuldade nas renegociações”. O presidente afirmou também que os clientes do banco têm preferência por empréstimos com recursos do FNE.



Roberto afirmou também que ao mesmo tempo em que cresceu a participação do FNE nos crédito oferecido pelo Banco do Nordeste, aumentou também o patrimônio do próprio fundo. “[O FNE] está sendo bem administrado, com uma taxa de inadimplência baixa, gerando uma maior rotatividade desse fundo e possibilitando que nossas operações possam ser mais respaldadas no fundo”, disse.



Capitalização – Apesar do aumento dos recursos do FNE, o Banco do Nordeste deixou de operar crédito, em junho deste ano, pois seu Índice de Basiléia atingiu o nível mínimo determinado pelo Banco Central, de 11%. O Índice de Basiléia é um indicador da resistência dos bancos a choques.

“O Banco do Nordeste necessita fortemente de aumento de capital. Os níveis de crescimento do Nordeste são muito grandes, e a demanda é enorme”, justificou Roberto. O deputado Átila Lira (PSB-PI) afirmou que a instituição tem o apoio dos parlamentares nordestinos para a capitalização. O coordenador da Bancada do Nordeste, deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA) afirmou que os parlamentares da região vão tentar incluir no orçamento da União, a previsão de aumento do capital do Banco do Nordeste.

Átila elogiou a proposta do Banco do Nordeste, adiantada por Roberto Smith, de criar uma empresa formuladora de projetos de desenvolvimento para a região. “Essa idéia é louvável. Esse é papel da Sudene, mas ela está com esse esvaziamento geral” criticou. “A idéia é fugir dessa idéia de ser apenas um balcão de demandas, mas de estruturarmos projetos que possam atrair empreendedores e governo”, explicou Roberto.

( por Evam Sena, especial para a Política Real, com edição de Genésio Araújo Junior)