31 de julho de 2025

ESPECIAL FIM DE SEMANA. Deputados nordestinos pedem mais investimentos para universidades da região. Divulgaçào do ranking da universidades gerou polêmica…

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Por admin
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( Brasília-DF, 04/09/2009) A Política Real está atenta e teve acesso.

O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta semana o ranking das instituições de ensino superior do Brasil, realizado com base no Índice Geral de Cursos (IGC), que leva em conta o desempenho dos alunos no Enade, a opinião dos alunos, a estrutura das instituições e a qualificação dos professores.



Em sua segunda edição, o IGC revelou que houve um aumento do número de universidades, faculdades e centros universitários com notas nas faixas 1 e 2, consideradas ruins pelo MEC. Em 2008, 36% das instituições foram consideradas inadequadas, contra 31% em 2007.



Quatro universidades públicas do Nordeste ficaram na faixa 2, com nota entre 194 e 95: uma federal e três estaduais. A nota máxima é 500. Não houve nenhuma universidade na faixa 1. As inadequadas, segundo o MEC são: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (191), Universidade Estadual de Alagoas (180), Universidade Estadual do Piauí (171) e Universidade Estadual de Ciência da Saúde de Alagoas (152).



A maior parte das universidades nordestinas estão na faixa 3, entre públicas e particulares, com notas entre 294 e 195. Cinco estão na faixa 4, entre 394 e 295, e nenhuma na faixa 5. As mais bem avaliadas são as universidade federais de Pernambuco (347), Rio Grande do Norte (333), Bahia (321) e Ceará (319), e a Universidade Estadual de Santa Cruz (296), na Bahia.

O deputado Ariosto Holanda (PSB-CE), membro da Comissão de Educação da Câmara e professor da Universidade do Ceará, lamentou que universidades públicas estão baixas no ranking. “É preocupante ver universidades que deveriam estar crescendo, estão caindo no ranking”, afirmou.



Apesar de acreditar que o método de avaliação do IGC tem sido aperfeiçoado pelo MEC, o deputado Átila Lira (PSB-CE), também da Comissão de Educação, criticou a importância que é dada à nota do Enade como critério dentro do IGC. “Tem um problema na avaliação: a nota do aluno não é registrada no historio escolar. Eu acho que isso é um fator que quebra o compromisso do aluno com o exame”, declarou.

A vice-presidente da Comissão de Educação, Fátima Bezerra, acredita que o sistema de avaliação deve ser valorizado e as suas imperfeições levantadas e corrigidas pelo MEC. “A gente tem que valorizar exatamente o sistema de avaliação que está em curso, exatamente para que as deficiências que forem constatadas possam ser corrigidas”, disse.



Em relação à diferença entre as instituições públicas nordestinas e do restante do país, Fátima afirma que o ranking do MEC revela que é necessário mais investimento na região. “Deve haver, sobretudo, consciência do MEC de que a gente tem com urgência que investir nas instituições de ensino superior do Norte e Nordeste, porque hoje, o que provoca o desequilíbrio regional não é nem a riqueza, é o conhecimento. Cada vez que se concentra mais conhecimento nas regiões Sul e Sudeste mais a distância vai aumentar”, Ariosto seguiu na mesma linha.



Consciente de que as melhores universidades têm maior número de doutores e professores com carga horária integral, o deputado Átila Lira alertou o Ministério da Educação que as regiões Norte e Nordeste sofrem desigualdade na oferta de mestrados e doutorados. “Não se pode exigir de uma instituição de ensino superior do Nordeste da mesma forma que se exige de uma instituição, por exemplo, de São Paulo”, comparou.



Para Ariosto Holanda, é mais eficaz investir na formação de doutores nas instituições nordestinas do que incentivar que pós-graduados de outras regiões pesquisarem no Nordeste. “O investimento tem que ser no próprio pessoal de casa. É mais fácil você investir para que um professor que tem mestrado faça doutorado na própria universidade, ou mesmo fora, porque ele volta, do que trazer doutores de fora”, afirmou.



Outro problema trazido pelo parlamentar cearense é o grande número de professores substitutos nas universidades brasileiras. “Eu sei que a Universidade do Ceará pressiona muito o MEC para liberar as vagas a que ela tem direito para realizar um concurso, de professores que aposentaram. Se você não substitui um professor que saiu, que tenha doutorado e mestrado, por outro do mesmo nível, e entra com um substituto, a tendência é cair o nível”, opina.

Entre as faculdades e centros universitários, se destacaram as instituições menores. Sabendo disso, embora ressalte a demanda reprimida de estudantes pelo ensino superior, Ariosto comemorou a “avaliação rigorosa” que o MEC vem fazendo, principalmente nos cursos de direito e medicina, em que algumas instituições foram punidas no ano passado.

“É um crime que se comete quando se cria um curso que vai proporcionar uma má formação, porque você colocar no mercado o profissional que não responde. A abertura de faculdades deve obedecer todos os critérios para que ela tem um bom curso. Sem isso nós vamos comprometer o profissional que vai para o mercado de trabalho”, afirmou Ariosto.

Fátima Bezerra culpou o grande número de faculdades pela ausência de investimentos governamentais no ensino superior público no governo FHC. “O crescimento indiscriminado de cursos na iniciativa privada apareceu por causa da lacuna deixada pelo governo federal. Só agora no governo Lula que isso está sendo reformado”, defendeu.

O IGC é usado pelo MEC para definir quais instituições devem ser visitadas por técnicos do ministério para fiscalização mais de perto ou sofrer sanções como restrição para abertura de vagas, fechamento de cursos ou até da própria escola.



( por Evam Sena, especial para a Política Real, com edição de Genésio Araújo Junior )