ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Maranhenses se preparam para julgamento de Jackson Lago. Possível cassação do governador já levou manifestantes às ruas e lideranças prometem mais ações contra saída de Lago…
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(Brasília-DF, 12/12/2008) O resultado do julgamento do governador do Maranhão, Jackson Lago, está previsto para ser definido somente na próxima semana, mas a população e lideranças populares e políticas já começaram a reagir. Cerca de 300 manifestantes encontram-se em frente a sede do governo em luto. E enquanto grupos apelam pela não cassação do governador, outros pedem calma e atenção para esperar a decisão do Tribunal superior Eleitoral. Lago é acusado de ter sido beneficiado por contratos assinados com municípios pelo ex-governador, apesar de não ter sido o candidato do político. Com a saída dele, entra a segunda colocada na campanha, a atual senadora pelo estado, Roseana Sarney (PMDB).
Na Câmara dos Deputados os parlamentares traçam estratégias para mantém o governador no posto e também comentam sobre o estado em que se encontra a cidade. De acordo com o deputado, Domingos Dutra (PT), uma das principais lideranças em prol do pedetista Lago, se ele for cassado, a própria população não deixa a senadora assumir o posto. Isso porque, segundo ele, a população já está nas ruas se manifestando.
Há dois dias o deputado do PMDB, Gastão Vieira (MA), sobe a tribuna da Casa para tentar amenizar a situação no estado. Segundo ele, é preciso ter calma e aguardar a decisão do TSE. Os relatos do deputado mostram que a cidade está ocupada por manifestantes, incluindo militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) acampados em frente a sede do governo, o Palácio dos Leões. “Surpreendente é que de forma antecipada cria-se em todo o Maranhão um clima de guerra, de ameaça, como se não houvesse o julgamento da mais Alta Corte Eleitoral do País e tudo fosse substituído apenas por mais uma maldade a ser perpetrada pelo Senador José Sarney”.
Assustado com as possíveis conseqüências com o resultado do julgado, o deputado chamou atenção do ministro da Justiça, Tarso Genro, para o estado. “Ministro Tarso Genro, tome as providências! Cuide de assegurar a paz e a tranqüilidade para o Estado do Maranhão”, apelou. Nas palavras dele, estão desqualificando a decisão do tribunal, antecipando uma luta, “como se ali se travasse algo que não estivesse pautado nos autos, nas provas e no legítimo Estado de Direito brasileiro”.
No entanto, é ao redor do nome de Sarney que as discussões giram. Embora Vieira considere fraco esse argumento, o deputado Domingos Dutra ainda se apega a ele. Segundo ele, o processo “é uma maldade do Senador Sarney ao povo do Maranhão”. Dutra alega que Sarney tem 55 anos de vida pública e é Senador da República. Já a Senadora Roseana Sarney é Líder do Governo e Sarney Filho é deputado. “Ficamos até constrangidos em trazer essa polêmica aqui para a Câmara dos Deputados, diante dessa ganância do Senador José Sarney, que, com todo poder que já teve e ainda tem, quer tirar o Governador Jackson Lago, que está fazendo um bom trabalho”, afirmou na tribuna na Casa.
Do partido coligado ao PDT, PRB, o deputado Cléber Verde foi um dos que atendeu a um apelo de Dutra de que os maranhenses usassem a tribuna da Casa para se manifestar na defesa de Lago. Verde disse esperar que o tribunal reconheça a vontade do povo que elegeu Jackson. “Foi o povo do Maranhão que o escolheu, e somente esse povo que o escolheu éque pode oportunamente, no momento adequado, que é o momento do voto, dizer se ele está fazendo ou não um bom Governo”, afirmou.
E até que o processo seja julgado a promessa é de mais manifestações. Dutra já convocou outros deputados maranheses e até a população do estado a fazerem vigília na frente do tribunal. Além disso, no dia do julgamento, os parlamentares e simpatizantes da causa deverão usar uma faixa vermelho demonstrando luto.
O processo
Existem também duas versões em torno das acusações ao governador. O fato é que no último ano do governo de José Reinaldo Carneiro Tavares, em 2006, ano eleitoral, foram assinados contratos com 150 municípios. E a acusação é de que esses contratos teriam favorecido o governador Lago, embora ele não fosse o candidato do governador Carneiro. Segundo Vieira, foram gastos R$ 100 bilhões nesses convênios e apenas cinco municípios levaram R$ 100 milhões.
“Apenas 5 Municípios foram beneficiados com 100 milhões de reais de convênios. Que convênios eram esses? Para reformar escola, reformar hospital, fazer estrada vicinal, fazer isso, fazer aquilo. E o Tribunal de Contas do Estado, numa amostragem de 44 convênios, detectou que todas essas obras não foram feitas. Essas obras são fantasmas, elas não trouxeram o que a população esperava. Portanto, não há na história da Justiça Eleitoral brasileira nenhum processo tão complexo e tão ilustrativo de como se planeja e executa uma fraude eleitoral como este a respeito das eleições do Maranhão de 2006”, diz.
Já segundo Dutra, dos 150 municípios que tiveram convênios assinados, a senadora Roseana ganhou em 101. E nos que o Jackson Lago teve maior quantidade de votos, São Luiz e Imperatriz, as duas maiores cidades do estado, não houveram convênios firmados. Esse impasse tem ainda mais força pela pequena diferença de votos que deu o governo a Lago. Foram aproximadamente 2% dos votos que separaram Roseana de Jackson Lago.
A expectativa de todos é no profissionalismo dos ministros do TSE. Dutra mantém a mesma postura de Vieira, de que é o TSE quem bate o martelo. “Eu espero que os Ministros do TSE, que são extremamente independentes e sérios, examinem o processo sob a ótica jurídica e não sob a ótica política”, disse Dutra. “Não tenho dúvida de que os ministros, pela capacidade que têm de fazer uma análise, uma avaliação criteriosa daquilo que está lá exposto, um processo extremamente complexo de conteúdo, de informações, opinarão é o nosso desejo pela vontade do povo do Maranhão, que é a permanência de Jackson Lago à frente do Governo”, completou Cléber Verde.
(por Grasielle Castro com edição de Genésio Junior – [email protected] )