31 de julho de 2025

ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Lula luta para emplacar biocombustível no Nordeste. Promessa de desenvolvimento regional, a produção de combustíveis alternativos ganha espaço com a Petrobras Biocombustível…

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Por admin
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(Brasília-DF, 01/08/2008) O presidente Luís Inácio Lula da Silva ganhou a primeira batalha para colocar em prática seu plano de desenvolvimento do Nordeste com o lançamento da Petrobras Combustível esta semana na Bahia. A alternativa apontada por Lula para diminuir as desigualdades da região é fomentar a agricultura local para produção de biocombustível. No mesmo dia em que deu posse a diretoria da nova empresa da Petrobras, o presidente inaugurou a primeira usina de biodiesel em Candeias, a 55 km de Salvador.

Um dos motes para essa usina é a idéia de que ela vai se beneficiar da produção de frutos oleaginosos produzidos na região. Para colocar em funcionamento esta usina, a Petrobras comprou mais da metade da matéria-prima da agricultura familiar local. Quase 29 mil agricultores de 264 municípios da Bahia e de Sergipe estão empenhados no suprimento da usina. Para isso, a usina instalou equipamentos específicos para tratar matéria.



A sugestão do presidente é que esse modelo seja desenvolvido em toda região Nordeste. E este foi o primeiro passo. Mas chegar até este momento não foi fácil. O deputado Ariosto Holanda (PSB-CE), membro da comissão de Minas e Energia, disse essa semana à Política Real que ainda não é este modelo esperado, mas que é bom poder contar com, pelo menos, alguma coisa. Segundo ele, a idéia era criar uma secretária maior e não apenas ligada à Petrobras, que fosse capaz de lidar com um leque maior de biocombustíveis.

Em meados do primeiro semestre deste ano, Holanda se encontrou com a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, para cobrar um postura com relação à política de produção do biodiesel. Na ocasião, o deputado teria dito que estava ali a pedido do presidente Lula, que estaria insastisfeito com o desempenho do Projeto Biodiesel. A justificativa é de que o programa havia criado poucos empregos desde que foi lançado.

Quem vai poder fazer os planos de Lula e de Holanda saírem do papel é a diretoria dessa usina presidida pelo ministro de estado de Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e composta pelo representante do ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, e da Casa Civil, Tereza Campello, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, os diretores de Gás e Energia, Graça Foster, e de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, além do presidente da Petrobras Biocombustível, Alan Kardec.

Esses nomes são resultados de indicações políticas que podem ter ou não a intenção de realizar o trabalho sugerido pelo presidente. Ainda no primeiro semestre deste ano a Política Real noticiou que o controle da produção de biocombustíveis seria mais um motivo de disputas entre o PT e o PMDB no governo Lula. E não deu outra. Quase todas as indicações tem a diretoria da Petrobras Biocombustíveis tem o pé em um ou no outro partido.

Em fevereiro, o PMDB demonstrou os primeiros sinais de intenção em participar da expansão do biodiesel. Na época já havia interesse de membros do partido de que a presidência dessa nova empresa ficasse com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. No entanto, Dilma Roussef, mesmo gerenciando o Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC) é que quem monitora a Petrobras. Na época já era sabido que ela deveria indicar alguém de confiança para a diretoria da futura Petrobras Biocombustível. E assim foi feito. Os dois partidos mais fortes da base aliada tiveram suas indicações. A maioria, no entanto, vinculada a Dilma Roussef.

Márcio Zimmermam, por exemplo, indicado pelo ministério de Minas e Energia, é o principal nome do PMDB. Zimmermann foi cotado para ocupar o cargo de ministro de Minas e Energia na época em que Silas Rondeau deixou o cargo, mas não chegou a ocupar a pasta. Em vez de Zimmermann assumir o posto do PMDB, Nelson Hubner ficou no cargo interinamente até ser indicado o nome de Edison Lobão.



Saiba quem é quem:



Guilherme Cassel



O engenheiro civil, Guilherme Cassel, antes de assumir o Ministério de Desenvolvimento Agrário, atuava no ministério como secretário-executivo antes de ser empossado. Cassel teve forte atuação na política do Rio Grande do Sul. Ele começou como agente fiscal do Tesouro do Rio Grande do Sul. E chegou ao posto de secretário-geral do Governo e chefe de gabinete do vice-governador Miguel Rossetto (PT-RS), na gestão 1999-2003. Até chegar a esse cargo, ele passou pela sub-secretaria de Fazenda e pela sub-chefia de Porto Alegre.

José Sergio Gabrielli de Azevedo



O atual presidente da Petrobras, antes de assumir este posto, aparentemente era um grande acadêmico com, inclusive, pós-doutorado concluído em Londres. Embora tenha um excelente currículo, isso não o impediu de ter politicamente ativo. Militante do PT, ele chegou a se candidatar para o governo da Bahia contra o Antônio Carlos Magalhães, que venceu as eleições.

Antes de chegar a presidência em 2005, o economista foi diretor e de Relações com Investidores Financeiro da empresa. Quando assumiu o cargo de presidente, Gabrielli também foi designado como membro do Conselho Administrativo da Petrobras Distribuidora – BR.

Márcio Zimmermann



O engenheiro elétrico, representante do Ministério de Minas e Energia, sempre trabalhou na área de energia. Começou na Eletrosul, depois continuou a carreira na Eletrobrás. Em 2003 assumiu a Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) e em seguida foi para Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético (SPE), no Ministério de Minas e Energia (MME).

Em maio do ano passado, na época de transição de ministro no MME, Zimermmann foi um dos nomes cogitados pelo PMDB. Apesar de ser considerado do time de Dilma Roussef, o engenheiro tem bom trânsito entre os peemedebistas.

Tereza Campello



A economista paulista, indicada pela ministra da Casa Civil, começou sua carreira no Rio Grande do Sul. Trabalhou em governos do PT nas quatro prefeituras do partido em Porto Alegre iniciadas em 1989. Até que chegou a Secretaria Geral de Governo (do Rio Grande do Sul), foi indicada na esfera federal para o governo de transição

Antes de ir para Casa Civil, Campello assessorou Tarso Genro e ajudou no plano econômico do presidente Lula. Atualmente ela é subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil e é casada com Paulo Ferreira, tesoureiro do PT.



Graça Foster



Diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster tem um longa história ao lado da ministra Dilma Roussef. Até meados do ano passado, ela foi a presidente da Petrobras Distribuidora (BR) indicada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ela deixou o cargo para tomar posse José Eduardo Dutra, que foi o primeiro presidente da Petrobras do governo Lula.

Foster foi secretária de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia quando Dilma ministrava o órgão. No ano passado, ela deixou a presidência da distribuidora e assumiu a diretoria de Gás e Energia no momento em que a Petrobras buscava reduzir a dependência do gás importado da Bolívia.

Alan Kardec



O presidente da Petrobras Biocombustível, Alan Kardec, também foi diretor de Abastecimento da Petrobras indicado pelo PT e pelo ministro Walfrido dos Mares Guia. Antes de assumir essa diretoria, ele trabalha junto com Paulo Roberto da Costa, também empossado como membro da diretoria dessa nova empresa. Dizem que ele saiu deixou o cargo após desentendimentos com Paulo Roberto por disputa de cargos.

Com as brigas, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afastou Kardec e o nomeou seu assessor especial. Dizem que Alan Kardec tem o apoio de vários partidos, como PMDB e PCdoB. Mas dizem que ele é apadrinhado pelo PT, principalmente pelo governador da Bahia, Jacques Wagner.

Paulo Roberto Costa



O engenheiro Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento, é funcionário concursado da Petrobras especializado em Instalações no mar. E chegou a esse posto em 2004.