ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Linhas aéreas regionais do Nordeste foram reduzidas nos últimos dez anos. Ministério do Turismo quer criar novas linhas para desenvolver pólos turísticos. A Poítica Real está atenta. …
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(Brasília-DF, 09/05/2008) O Ministério do Turismo apresentou esta semana um estudo sobre o setor de transporte aéreo regional do país. A iniciativa tem como objetivo apontar para um modelo de priorização de investimentos em infra-estrutura aeroportuária e em novas linhas que tenham maior potencial turístico e de negócios. A região Nordeste aparece no estudo como uma das localidades que perdeu linhas regionais entre 1998 e 2008 e precisa de investimentos para permitir desenvolvimento dos seus pólos turísticos.
O estudo avalia que a aviação regional tem crescido em importância para o transporte de passageiros, mas no período entre 1998 e 2008 ocorreu queda de 22% na cobertura aérea. Nessa época, houve o encerramento de operações em 44 aeroportos nacionais. A região Norte foi a mais afetada, com menos 13 operações. O Nordeste apresentou o encerramento de 10 operações entre 1998 e 2008, mas quatro outras foram criadas nesse tempo.
Os dados revelam que dos 5.562 municípios brasileiros apenas 1,7% é atendido por companhias aéreas regionais. Quando a referência são os 375 municípios considerados destinos turísticos consolidados (de acordo com classificação da Embratur) o percentual de atendimento é de 13,6%, enquanto que nos 1.456 municípios com potencial turístico (com recursos naturais e culturais pouco explorados) é de 1%. Ao longo dos últimos 40 anos houve uma queda em termos de municípios atendidos por linhas regionais. Em 1960, cerca de 13% deles eram cobertos por este serviço. A pesquisa alega que o número de cidades brasileiras praticamente duplicou nos últimos 40 anos e a população brasileira aumentou de 70 milhões para 175 milhões de pessoas.
Outro aspecto avaliado pela pesquisa é que, no Brasil, a relação passageiros das linhas regionais é de apenas um para vinte e dois passageiros. Nos Estados Unidos, um a cada quatro passageiros regulares domésticos voam com uma companhia aérea regional, sendo que o número de vôos regionais representa a metade do total de vôos regulares daquele país. Na avaliação do estudo, faz-se urgente a revisão do desenho administrativo que centraliza o controle de todos os aeroportos a uma empresa estatal. Os pesquisadores defendem um planejamento estratégico de longo prazo das necessidades de expansão e utilização eficiente de infra-estrutura aeroportuária do país, em benefício da boa prestação do serviço de transporte aéreo à coletividade.
TURISMO – O Ministério do Turismo encomendou esse estudo no âmbito nacional, mas com prioridade nos 65 destinos indutores do desenvolvimento turístico regional, previsto no Plano Nacional do Turismo 2007-2010. Ao avaliar a demanda por transportes aéreos nos Destinos Indutores, o estudo concluiu, por exemplo, que a aviação regional representa, em médio prazo, nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, a solução para promover e fomentar esse desenvolvimento turístico. A ministra Marta Suplicy alega que a dificuldade de locomoção é o maior estrangulamento para o desenvolvimento do setor e que a ampliação das linhas regionais representam uma enorme potencialidade de alavancagem do turismo ainda a ser explorado no Brasil.
A pesquisa aponta 13 localidades com cobertura aérea consolidada no Nordeste. Citando, além das capitais dos nove estados, os municípios de Fernando de Noronha (PE), Porto Seguro (BA), São Raimundo Nonato (PI) e Nova Olinda (CE). Os destinos detectados como em fase de crescimento para absorver linhas regionais são: Aracati (CE), Maraú (BA), Tibau do Sul (RN), Ipojuca (PE), Jericoacoacra (CE) e Mata de São João (BA). As cidades de Parnaíba (PI), Lençóis (BA), Maragogi (AL) e Barrerinha (MA) aparecem como destinos em demanda ainda inicial.
O estudo, que elaborado por pesquisadores do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA/UFRJ), foi entregue nesta semana ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que encaminhou a Anac a viabilização de novas linhas a partir das prioridades levantadas no estudo.
( por Liana Gesteira Costa com edição de Genésio Araújo Junior)