ESPECIAL DE FIM DE SEMANA. Estádios nordestinos foram reprovados em estudo de qualidade.Parlamentares da região não apresentaram emendas em 2008 para adequar estádios para Copa de 2014.
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(Brasília-DF, 14/12/2007) A situação de segurança pública dos estádios brasileiros foi tema de debate nesta semana na Câmara. O desabamento de parte da arquibancada do estádio Fonte Nova, na Bahia, que ocorreu no dia 25 de novembro, foi um dos motivos que suscitou a audiência, envolvendo paramentares e representantes de diversos segmentos da sociedade esportiva. No debate ficou claro que a falta de estrutura e manutenção é uma realidade em diversos estádios brasileiros, que precisam urgentemente de readequação para a realização da Copa em 2014
O Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) apresentou no debate um estudo feito em 29 estádios de 18 cidades brasileiras, analisando a situação de vários componentes dos estádios, como gramado, segurança, acessibilidade, arquibancada, sanitário, vestiário e estacionamento, dentre outros. O material aponta que 80 % dos ocais averiguados precisam de reparos estrturais, 82% não têm assentos compatíveis com exigências da Fifa, 95% tem banheiros em estado péssimo ou ruim, 90% não oferece acesso adequado a portadores de necessidades especiais, 85% possuem vestiários inadequados e 60% apresentam locais com dificuldades de visualização do campo (ponto cego).
Os dados, recolhidos a partir de 2005, mostram que o Brasil precisa fazer muitas reformas para promover segurança e o conforto necessários os estádios para Copa de 2014. No Nordeste o Sinaenco fez o estudo em cinco localidades: Bahia, Alagoas, Pernabuco, Ceará e Rio Gande do Norte. Todos foram reprovados no teste de qualidade, precisando principalmente de adequação em arquibancadas, vestiários e banheiros. O estádio da Fonte Nova foi quem apresentou o quadro mais drástico. Esse fato mostra que a situação já era de conhecimento dos representantes da área esprortiva e do poder público, mas foi ignorado, causando a tragédia de novembro.
A realização da Copa de 2014 no Brasil vai precisar de um grande esforço de recursos, diante dessa realidade. Apesar disso, até agora são poucos os investimentos. Uma análise das emendas apresentadas ao orçamento de 2008 mostra que nenhum dos 7 estádios nordestinos analisados pelo estudo da Sinaenco te previsão de verbas. Apenas dois estádios foram contemplados nas emendas orçamentárias de 2008: Estádio Municipal de Arapiraca, em Alagoas (R$ 500 mil) e o Estádio de Futebol Luis Viana Filho, em Itabuna, Bahia (R$ 200 mil).
Segue abaixo os estádios nordestinos estudados e os principais problemas detectados:
1. Barradão (Salvador BA)
Fundado em 1986
Propriedade: time Vitória
capacidade 45 mil pessoas
Problemas:
vestiário visitante precário
arquibancada sem assentos individuais
2. Fonte Nova (Salvador BA)
Fundado em 1951
Propriedade: Governo da Bahia
capacidade 60 mil pessoas
Problemas:
nenhum conforto nem segurança para usuário
arquibancadas em ruínas
ausência de peitoril
parte da arquibancada com visão prejudicada
estrutura de vigas e pilares comprometidas
falta de higiene nos bares
sanitário sem manutenção
vestiário dos jogadores sem higiene, com chuveiros precários e piso podre
sistema de aquecimento dentro do vestiário em situação crítica
3. Trapichão (Maceió AL)
Fundado em 1970
Propriedade: Governo de Alagoas
capacidade 30 mil pessoas
Problemas:
barras de ferro inapropriadas que podem ferir torcedores
assento sem visibilidade do campo
banco de reservas inadequado
fosso com água parada – pode ser foco da Dengue
4. Ilha do Retiro (Recife-PE)
Fundado em 1937
Propriedade: Sport Clube do Recife
capacidade 35 mil pessoas
Problemas:
falta de cuidado na elaboração do projeto e execução da obra
pilares localizadas no meio da passagem torcedores
arquibancadas inadequadas – altura maior do que largura do piso
túnel de acesso ao campo muito estreito
banheira de recuperação dos jogadores em estado precário
5. Arruda (Recife-PE)
Fundado em 1972
Propriedade: Santa Cruz Futebol Clube
capacidade 90 mil pessoas
Problemas:
acesso a arquibancada sem corrimão de apoio
bar precário
sanitário em estado muito ruim
estrutura de arquibancada superior sobre a inferior prejudica visibilidade
banco de reservas muito ruim
6. Aflitos (Recife-PE)
Fundado em 1939
Propriedade: Clube Náutico Capibaribe
capacidade 23 mil pessoas
Problemas:
arquibancada com degraus em alturas irregulares
túnel de acesso ao campo muito estreito
área de aquecimento com pilares no meio do salão
sanitários ruins
reforço de grades dificultam passagem de torcedores
falta de manutenção de estrutura
7. Machadão (Natal-RN)
Fundado em 1972
Propriedade: Prefeitura de Natal
capacidade 32 mil pessoas
Problemas:
banco de jogadores reserva inadequado
banheiro coletivo inapropriado
janelas dos camarotes recém construídos não têm ergonomia
fosso com água parada – risco de Dengue.
( por Liana Gesteira Costa com edição de Genésio Araújo Junior)